Morreu Barbara Shelley, actriz de culto do cinema de terror

CULTURA

A actriz Barbara Shelley, uma das “rainhas dos gritos” originais do cinema de terror e figura de culto do cinema de género do século XX, identificada com as produções do estúdio inglês Hammer, morreu esta segunda-feira em Londres aos 88 anos, de sequelas provocadas por covid-19. 

Partenaire de nomes como George Sanders, Christopher Lee ou Roger Moore ao longo de uma carreira iniciada em meados dos anos 1950, a actriz estava há muitos anos reformada, embora tenha continuado a fazer aparições em convenções de fãs ao longo dos anos. 

Nascida em Londres em 1932, Barbara Shelley começou por ser modelo antes de partir para Itália para tentar a sorte no cinema — no Reino Unido, diria anos mais tarde, “decidiram que, como eu tinha sido modelo, não era possível que fosse actriz, mas os italianos não tiveram esse tipo de pruridos”. Regressando ao Reino Unido, chamou a atenção em 1957 com o papel principal de The Cat Girl, que lhe abriu as portas do cinema de género. 

Barbara Shelley fez parte do elenco de filmes como A Aldeia dos Malditos de Wolf Rilla (1960), A Morte Passou por Perto (1964) e Drácula, o Príncipe das Trevas (1966) de Terence Fisher, Rasputin, o Monge Louco de Don Sharp (1967) ou O Mundo das Trevas de Roy Ward Baker (1967). Muitos destes títulos foram produzidos pelo lendário estúdio Hammer, responsável por alguns dos clássicos do cinema de terror britânico das décadas de 1960 e 1970, e a actriz contracenou em alguns deles com os ícones Christopher Lee e Peter Cushing. Numa entrevista de 2009 ao jornal Daily Express, Shelley falava do gozo que teve em rodar com Christopher Lee e do “enorme sentido de humor” do actor, a quem ela e as suas colegas faziam “serenatas” em off enquanto ele procurava descer escadas de modo ameaçador.

“Quando comecei a filmar com a Hammer, todos os actores ditos clássicos olhavam de cima para os filmes de terror,” explicou a actriz numa entrevista anos mais tarde. “Mas ninguém se recorda todas as outras coisas que eu fiz.” Que, no seu caso, passaram em grande parte pela televisão, com participações como actriz convidada em episódios de séries como Danger ManO SantoRoute 66The Man from U.N.C.L.E.Os VingadoresDoutor Who ou mesmo a adaptação de 1980 da BBC de Orgulho e Preconceito.

Shelley tinha testado positivo para covid-19 ainda antes do Natal e passou duas semanas em isolamento antes de morrer, na segunda-feira.