Nyusi gerou um “exército” de esfomeados

DESTAQUE EXCLUSIVO POLÍTICA
  • 30 em cada 100 famílias sofrem de insegurança alimentar aguda
  • Situação agravou-se desde que Nyusi assumiu o poder

Se, por um lado, o país está longe de alcançar a paz social, por via do silenciamento das armas, por outro, o agravamento dos índices de pobreza, no presente ciclo de governação, mostra que este bem comum é ainda uma miragem. Estatísticas, mostram que, durante o primeiro mandato de governação do Presidente da República, Filipe Nyusi, a situação de segurança alimentar no país deteriorou-se para piores níveis, gerando um “exército” de famintos, que começam e terminam o dia sem saber o que irão comer.

Em paralelo com os índices de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), durante os dois mandatos de Armando Guebuza, o índice de insegurança alimentar estava a seguir uma trajectória positiva, mas, desde que este saiu do poder, a situação tende a agravar-se.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), o índice de insegurança alimentar aguda sofreu um grande agravamento no primeiro mandato do Presidente Nyusi, subindo de 3,6% de famílias em 2013 para 29,9% de famílias em 2019.

Igualmente, o índice de desnutrição aguda em crianças assumiu a mesma tendência, ou seja, se em 2013 cerca de 1,9% de crianças do país sofriam de alguma insuficiência nutricional, a situação deteriorou-se para 12,3% em 2019.

Se, por um lado, a situação pode ser facilmente associada, por políticos, a choques severos, como a guerra e calamidades naturais, por outro, é real que a situação pode também estar relacionada à crise da dívida pública, sobretudo depois da descoberta das dívidas ocultas, que deterioraram o nível de vida dos moçambicanos.

Igualmente, apesar de a agricultura ter sempre sido o cavalo de batalha do discurso político, a realidade indica um aumento do desinvestimento no sector, pelo menos até 2019, altura em que o Orçamento do Estado alocava menos de cinco porcento para a produção.

Por essa razão, à margem da propaganda de programas como o Sustenta, que prometem dinamizar a mecanização agrária, a realidade mostra que houve pouco investimento em meios e equipamentos no último mandato.

“A mecanização agrícola, medida pelo número de tractores alocados pelo Fundo do Desenvolvimento Agrário ao sector privado para agricultura familiar, reduziu, ao partir de 361 em 2015 para 26 unidades em 2019”, lê-se na nota do Instituto Nacional de Estatísticas distribuída no dia 22 de Janeiro, à imprensa.

Ainda no mesmo período, segundo o INE, o crédito concedido ao sector agrário manteve-se insignificante, comparado com o resto da economia, ao corresponder a um peso de 3,65% em 2015 e 3,71% em 2019.

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