Moçambique com agravamento recorde da taxa de juro de referência

ECONOMIA

 

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) decidiu, nesta quarta-feira (27), agravar a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 300 pontos base, para 13,25%. Este agravamento, tornado público pelo Banco Central, é uma evidencia de que vem ai um agravamento de preços.  

A derrapagem do metical face a outras moedas, subida exponencial de casos da COVID-19, terrorismo em Cabo Delgado e calamidades naturais são os factores que obrigaram o Banco de Moçambique a subir a taxa de juro de referência de 10.25% para 13.25%. Aliás, é, diga-se, a primeira vez que a taxa de juro de referência regista uma subida de 300 pontos base.

 “Prevê-se uma aceleração da inflação geral no médio prazo, a traduzir os efeitos da repassagem da depreciação do Metical para os preços domésticos, do fim da vigência de parte das medidas de contenção de preços decretadas pelo Governo, no âmbito da COVID-19 e dos choques climáticos”, refere o comunicado de imprensa do Comité de Política Monetária do Banco Central.

Por outro lado, o Banco de Moçambique observou que a forte pressão sobre as finanças públicas tende a aumentar devido as situações que o país atravessa. “A rápida propagação da COVID-19 desde o início do ano, o prolongamento dos conflitos militares e a ocorrência de calamidades naturais vão continuar a exigir um maior esforço financeiro do Estado, aumentando assim as preocupações quanto a postura fiscal em 2021”, disse o BM para depois acrescentar que “Desde o último CPMO, a dívida pública interna, excluindo contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, aumentou de 182.325 milhões para 183.819 milhões de meticais”.

O regulador do sistema financeiro refere ainda as perspectivas do crescimento económico em 2021 são baixas “O reforço das medidas restritivas devido a aceleração da Covid-19 no início do ano, sobretudo nas áreas de lazer e restauração, combinado com o efeito negativo do conflito militar na zona norte que condicionam o fluxo normal das actividades de implantação dos projectos de exploração de gás e os choques climáticos levaram a revisão em baixa as perspectivas do crescimento económico em 2021. Neste sentido o CMPO considera pertinente melhorar as reformas na economia, visando fortalecer instituições, melhorar o ambiente de negócios, a atracção de investimentos e criação de empregos”.

De referir que o mercado cambial regista pressão na procura de moeda estrangeira depois de encerrar 2020 com compras liquidas no montante de 72,2 milhões de dólares 

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