A essência do Evidências

EDITORIAL

Os detalhes para garantir que o jornal chegasse ao público com a qualidade que nos permite distinção custaram-nos um parto tardio. A ambição era ser parte da agenda dos moçambicanos no primeiro minuto de 2021, mas alguns detalhes prementes fizeram-nos adiar o nosso parto. Mesmo assim, a nossa ambição resistiu, não só às adversidades, como também às questões conjunturais, como a de saber, o porquê de apostar num sector tão incerto e num período crítico em todos sentidos, desde a crise do mercado à crise da informação, bem evidenciada na comunicação entre os moçambicanos e as instituições que lhes representam.

Se a última nos serviu de estímulo, as outras entulharam-nos de incertezas, ainda mais quando lamentações vindas de gurus do sector da comunicação social, quanto à sustentabilidade, se mostram crescentes. No entanto, a causa que nos estimulou sempre foi clara e motivadora: consolidar a pluralidade e ser incómodos a grupos que, impiedosamente, conduzem-nos gradualmente ao abismo enquanto riem-se da nossa inércia, a inércia de uma juventude sem sentido de luta.

Não é com ela que alinhamos, muito menos com a injustiça e a exclusão social. Não nos vergaremos enquanto houver um discurso vazio de combate à corrupção por ser denunciado; enquanto houver uma paz de armas a ser combatida; enquanto houver quem com toda sabedoria de soluções prefere o silêncio por medo de intimidações e precisa de máscara para falar; enquanto existir quem é simplesmente ignorado por ser menos moçambicano, em virtude da sua filiação e afeição político-partidária. Não podemos calar, enquanto houver uma sangrenta guerra escondida por detrás da religião a ser condenada e erradicada de todas as formas possíveis e, dentre outras, enquanto prevalecer um manancial de riquezas por se discutir como partilhar de forma justa.

Os próximos dias servirão de prova do quão somos acérrimos defensores da pluralidade, que quando consistente e franca conduz-nos a ricas decisões que nos unem, o que implica acesso prévio a toda a agenda que influência o dia-dia de cada cidadão. É aqui onde o EVIDÊNCIAS, empenhado na busca de informações que a todos dizem respeito, mantendo a honra consagrada ao jornalismo, ambiciona ser útil à vida de Moçambique e, com recurso a evidências, participar e testemunhar o talhar da cidadania dos moçambicanos, a quem diz respeito a vida deste território. O resto caberá ao leitor, quando perceber de que, a única forma de a causa não murchar e nem ser deturpada, é sustentando a luta e não deixar que sejam os grupos a fazer no seu lugar.

Essa clareza, que nos convenceu da nobreza da causa do EVIDÊNCIAS, foi suficiente para nos conduzir até aqui e nos fazer, com respeito à colectividade, moderar o debate onde todos participam e, na riqueza e beleza das divergências, se encontra a unidade que é cada vez mais escassa.

Sem lado nem partido, sem classes nem grupos, sem tribo nem região, e reconhecendo o trabalho da imprensa livre em Moçambique, ambicionamos, com equilíbrio, juntarmo-nos e engajarmo-nos no desenvolvimento, através da promoção do acesso à informação para consolidação do nosso Estado. É cumprindo esse desafio que o EVIDÊNCIAS honra a sua razão de ser e o seu nome, que é, em si, um convite a um jornalismo de factos.

Com todos os desafios que se impõem, seremos contundentes no impulsionamento do desenvolvimento, destacando as boas realizações, repudiando as más práticas e abrindo espaço para os que querem contribuir com ideias que podem levar o País a um bom porto. Se, para tal, não conseguem dar a cara, o EVIDÊNCIAS dará, sem colocar em causa o seu nome.

Nesse primeiro contacto com o leitor, informamos que o EVIDÊNCIAS, que irá estar disponível em três plataformas (Tablóide, Digital/e-Paper e Online), nasce já a par da globalização que não permite a imaginação de um futuro independente da tecnologia.

Essa diversidade de plataformas visa chegar a todos os cantos de todos os meios. E, porque é mais abrangente, esta plataforma é a nossa eleita para ser o nosso destaque de apresentação, e nos próximos dias iremos colocar o jornal físico (tablóide) nas mãos de ardinas. Não nos assusta a limitada literacia digital dos nossos conterrâneos, muito menos o descrédito reservado às plataformas digitais, até porque nos comprometemos aqui trazer as verdades evidenciadas, e as que não forem, teremos a humildade de dizer que não foram.

Desde o seu período embrionário, debatemos afincadamente sobre como fazer para que o EVIDÊNCIAS seja acessível a mais moçambicanos e não só, dos distritos ao mundo, sem colocar em causa a sua sustentabilidade. Nesta plataforma, a resposta foi que, por um lado, as notícias de utilidade pontual seriam grátis, e, por outro, as exclusivas terão seu preço durante uma semana. De novo, reconhecemos a limitada literacia financeira e digital de uma parte significativa dos moçambicanos que, na sua maioria, não possuem nem uma conta bancária ou móvel, é por isso que, passada uma semana, iremos disponibilizar as reportagens exclusivas a estes, para além de dar espaço para que pessoas singulares, personalidades e entidades públicas e privadas patrocinem as histórias exclusivas para que sejam imediatamente disponibilizadas a todos. mucandze@evidencias.co.mz