Nova Democracia exige verdades sobre o terrorismo em Moçambique

POLÍTICA SOCIEDADE

O Movimento Nova Democracia (ND), um dos poucos partidos que se mostra actuante em época não eleitoral, exige do Governo a verdade sobre a situação da guerra contra o terrorismo no norte da província de Cabo Delgado e acusa o Estado moçambicano de recorrer à retórica da desinformação como bode expiatório para incentivar perseguições políticas

Apoiando-se no estudo sobre Resiliência Comunitária ao Extremismo Violento, conduzido pelo Centro de Estudos Estratégicos Internacionais da Universidade Joaquim Chissano (CEEI) em coordenação com o Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos resultados foram publicamente apresentados no dia 19 de Janeiro, o ND confirma que 49% da população de Cabo Delgado está actualmente deslocada, 2.5% das casas definidas para o estudo já não existem, 9.6% estão destruídas e, 22% desocupadas, sendo que em parte das 66% supostamente ocupadas não encontraram os residentes no momento da pesquisa.

“Sim! Só com a verdade é que será possível mobilizar a nação para enfrentar este combate que não pode ser monopólio do Governo ou dos seus subordinados nas FDS. Está em causa a sobrevivência do Estado moçambicano, do nosso país e do seu tecido social. Não podem contar connosco para que, através do silêncio, sejamos cúmplices do agravar da situação militar, política e humanitária em Cabo Delgado, situação que pode degenerar numa verdadeira catástrofe de dimensões babilónicas caso nada seja feito o quanto antes”, escreveu o ND.

O Movimento Nova Democracia estranha silêncio ensurdecedor da União Africana e do eterno adiamento do debate ao nível da SADC. “Preocupa-nos as recentes declarações da Chefe da Diplomacia Sul-Africana, Naledi Pandor, segundo a qual vê incapacidade na SADC em acordar o tipo de apoio conjunto sendo que Pretória encetou todos os esforços possíveis junto do Governo de Moçambique para delinear em conjunto uma agenda de apoio, mas até ao momento ainda não foi possível concretizar exatamente a natureza deste apoio”

O partido liderado Salomão Muchanga apelida a contratação de unidades militares e mercenários russos e sul-africanos para combater os insurgentes na província Cabo Delgado como um acto de traição à pátria.

“Para além de constituir um verdadeiro acto de traição à pátria, a mobilização de mercenários estrangeiros ao arrepio das normas constitucionais, representa uma verdadeira ameaça ao Estado de Direito Democrático e ao princípio de separação de poderes quando o Governo ignora o Parlamento em tão sensível matéria. Denunciamos também os dúbios acordos ocultos entre o Governo e as multinacionais que operam nos projectos de gás natural na bacia do Rovuma, mais preocupados em proteger sua presença e interesses, do que as populações locais, ignorando a resolução dos factores económicos e de exclusão facilitadores da adesão ao terrorismo”. 

Justificando-se no lema “Nós somos Cabo Delgado e, não vamos calar a nossa voz até que o povo de Cabo Delgado reencontre os caminhos da paz”, o Movimento Nova Democracia sublinha ainda que o gás e o petróleo de Cabo Delgado não são mais importantes do que os milhares de vidas humanas ceifadas diariamente para além dos deslocados de guerra e exige meios para que as Forças de Defesa e Segurança repelir os atacantes e defender a sua vida e das comunidades afectadas.

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