Limites à democracia preocupam partidos e sociedade civil

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Os partidos políticos com assentos na Assembleia da República, Frelimo, Renamo e MDM, e a Sociedade Civil estiveram reunidos na terça-feira, 02 de Março, numa mesa redonda organizada pelo Instituto para a Democracia e Multipartidária (IMD) com o objectivo de fazer o balanço do ano 2020 e as perspectivas do ano em curso. O IMD defende que os partidos e instituições devem se reinventem e encontrem meios, para que a democracia em Moçambique não continue a ser afetada.

De acordo com o Instituto para Democracia Multipartidária, em 2020, a democracia interna dos partidos políticos foi bastante beliscada, visto que porque as organizações, no seu todo, não puderam realizar os seus encontros para avaliar o processo eleitoral, definir estratégias pós-eleitorais ou aprovar planos visando assegurar o seu funcionamento.

“Este facto pode criar uma sensação um pouco de ditadura das lideranças dos seus partidos que não podem, por conta da Covid-19, interagir com os membros que são eleitos para assessorá-los nos intervalos entre os congressos”, referiu Dércio Alfazema do IMD.

Indo mais longe, Alfazema declarou que a Assembleia da República deve abrir-se para o diálogo. “No ano passado houve matérias problemáticas em que a sociedade civil levantou as suas questões, mas essas questões não foram acolhidas pelo Parlamento e, mesmo depois do Parlamento tomar as decisões não procurou dar o retorno à sociedade civil”, lembrou.

“Ideais de Dlhakama e Simango podem levar Moçambique a um futuro promissor”

No reinado de Filipe Nyusi, os dois maiores partidos da oposição em Moçambique tiveram perdas de vulto. Se por um lado, a Renamo perdeu o carismático Afonso Dhlakama em 2018, por outro, no ano em curso, o Movimento Democrático de Moçambique viu partir o seu fundador e presidente, Daviz Simango.

Augusto Pelembe, membro do MDM, acredita que se fossem seguidos os ideais de Dlhakama e Simango o futuro da perola do indico seria promissor.

“Se nós como sociedade nos unirmos e olharmos para os ideais desses dois senhores que perderam a vida, infelizmente, acredito que o nosso futuro pode ser promissor. Agora, olhando para esses últimos anos que faltam do mandato do Presidente Nyusi, é preocupante porque o que nos espera são anos difíceis, porque há uma desaceleração da nossa economia, isso terá as suas consequências, talvez hoje não mas no futuro”, disse Pelembe

Por sua vez, Venâncio Mondlane, em representação do maior partido da oposição, defendeu que uma das preocupações do presente é a bipolarização da Assembleia da República. “As pessoas acham que devíamos ir para um pluralismo democrático. Mas se a preocupação é essa, eu acredito bastante nessa juventude. O importante é criarmos as condições para que as iniciativas de política, a liberdade política, económica e social não sejam cortadas”, defendeu.

O porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse, destacou o estágio saudável em que e encontra o processo democrático em Moçambique.

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