Mais nove membros da Junta Militar da Renamo juntaram-se ao DDR em Manica

POLÍTICA SOCIEDADE

Arrancou, nesta segunda-feira, 08 de Março, o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos antigos guerrilheiros das antigas bases da Renamo na província de Manica. Além dos ex-combates da perdiz, nove dissidentes da autoproclamada Junta Militar da Renamo juntaram-se ao processo.

Edson Macuacua, Secretario do Estado na província de Manica, chefiou a cerimônia, tendo declarado que a passagem dos antigos guerrilheiros da Renamo e da autoproclamada Junta Militar à vida civil é um marco importante para as suas vidas.

“Devem ser bem acarinhados como nossos irmãos, devem viver, devem trabalhar, devem circular livremente como todos nós enquanto cidadãos desta nossa República de Moçambique”, declarou Macuacua para depois assegurar aos ex-guerreiros que “podem e devem contar com o Estado em qualquer lugar. As estruturas do Estado vão vos receber nas zonas para onde desejarem regressar”

Por sua vez, o Secretário-geral da Renamo e representante do maior partido da oposição no processo de DDR, André Magibiri, apelou aos membros da Junta Militar a seguir o exemplo dos que deixaram as armas e passaram a vida civil. “O DDR veio para ficar. Isto mostra o nosso comprometimento na manutenção da paz e da reconciliação nacional. Aos combatentes que serão desmobilizados aqui, apelamos que nas vossas comunidades, onde quer que estejam, trabalhem lado a lado com os outros que lá estiverem”.

Ex – guerrilheiros livres para voltar as suas zonas de origem

Se por lado, num passado recente, os guerrilheiros semeavam luto e terror na zona centro do país. Por outro, no presente, são homens arrependidos por aquilo que fizeram no passado e viram uma nova página a se abrir nas suas graças ao processo do DDR.

Numa primeira fase apenas 782 ex-guerrilheiros das antigas bases da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) na província central de Manica é que estavam inscritos para o processo, contudo nove soldados decidiram abandonar o grupo encabeçado por Mario Nhongo para se juntar ao processo.

“Estou aqui no centro de acantonamento para ser desmobilizado, para ir para casa. Não há ninguém a ameaçar, não há ninguém a matar. A preparação é para sermos desmobilizados e irmos para casa”, apelou Paulo Nguirande, ex-Chefe adjunto do Estado-Maior da Junta Militar

Já Jorge Marote, ex-guerreiro do grupo liderado por Mariano Nhongo, apelou aos outros soldados que ainda se encontram nas matas a abandonarem as armas e se juntarem o processo.

“Eu abandonei a Junta Militar porque vi que já era demais continuar a ficar no mato, pois a nossa família está a sofrer em casa por esta razão. Vim entregar-me ao DDR, assim estou muito contente e satisfeito, porque fui bem recebido e não há nenhum incómodo”, disse.

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