Nova Democracia questiona silêncio do Filipe Nyusi sobre ataques em Palma

DESTAQUE POLÍTICA

“Um Governo que falha em proteger os seus cidadãos é um governo incapaz e infiel”

O partido Nova Democracia considera que ao falhar em proteger os seus cidadãos, o Governo está a dar mais uma prova inequívoca de que é incapaz e infiel para com o povo moçambicano. Através de uma moção de censura que o Evidências teve acesso, aquele movimento político questiona o silêncio do Presidente da República, Filipe Nyusi perante uma tragédia de tão grande magnitude.

“Vazio total”, é assim como a Nova Democracia (ND) caracteriza a actuação do Presidente da República Filipe Nyusi e seu Governo perante os ataques bárbaros dos insurgentes, que ceifaram vidas, desabrigaram e lançam milhares de concidadãos inocentes à penúria e incerteza.

“Como se explica que o Presidente da República não fale à Nação sob uma tragédia como esta? Acentua-se a situação de um Presidente demissionário e se confirma que temos ministros, mas não temos governo. O vazio é total”, desabafa a Nova Democracia, para depois acrescentar que “com esta Moção de Censura ao Governo devido a sua falta de liderança e agenda, por um lado, e a insensibilidade aos problemas do povo, por outro, a Nova Democracia afirma que continuará ao lado do povo e com ele marchará pela verdade, pela dignidade e justiça social”.

Mostrando solidariedade com os militares e os populares, principais vítimas deste conflito, a Nova Democracia denuncia aquilo que chamou de demissão colectiva do Governo que se esquece que pela resposta atempada da inteligência e pela inclusão socioeconómica é que se vence este tipo de conflitos.

“O assustador fracasso da resposta governamental em assumir e abordar as causas desta guerra, alimenta escandalosamente a competição criminosa pelos recursos, a corrupção das elites que impulsionam a violência e divisões entre os Moçambicanos e aprofunda a impunidade no país. Enquanto milhares de vítimas se abrigam em matas, o narcotráfico carrega e descarrega armas, drogas e recursos minerais de quantidades incalculáveis nos nossos portos e distritos”, sustenta.

O partido liderado por Salomão Muchanga denuncia, igualmente, “a arrogância crescente e o cinismo político daqueles que confortados nas suas infames mordomias a custa deste povo martirizado, ignoram o sofrimento das populações e preferem salvaguardar os seus interesses”.

“Conflito em Cabo Delgado já atingiu níveis de crimes contra a humanidade”

 

Num outro desenvolvimento, a Nova Democracia considera que os relatos que chegam de Palma denunciam, não apenas a sonegação de informação, como também que para o actual regime, o gás, o petróleo e os bens são mais importantes que as milhares vidas humanas de nacionais que se ceifam diariamente.

“O sofrimento incalculável a população civil resultando em mortes, estupros, destruição, incêndios e, saque de bens e propriedades, já atingiu níveis de crimes contra a humanidade que devem ser abordados à luz do previsto no artigo 1 da Carta das Nações Unidas que demanda ‘medidas colectivas para evitar ameaças à paz e reprimir os actos de agressão contra qualquer ruptura da paz e, chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução de controvérsias ou situações que possam levar a perturbações’ da paz”, refere a moção de censura, a primeira conhecida de um partido político nacional, após o ataque.

Naquilo que pode ser interpretado como uma critica à aparente inoperância do sector da inteligência, que se mostra mais actuante a reprimir manifestações e no policiamento ideológico em fóruns de debate e grupos das redes sociais, a ND diz que o assalto dos insurgentes à Palma devia ter sido previsto.

“É horrível a situação que se vive na província de Cabo Delgado onde, desde 2017, o terrorismo prospera a mercê de discursos triunfalistas, uma posição que deveria se ter previsto depois da tomada de Mocimboa, Nangade, Ibo, Macomia, parte de Quissanga e de Mueda, deixando Palma numa situação de isolamento e penúria populacional”, destacou a ND.