As marcas do nosso jornalismo patriótico

EDITORIAL

Este país é nosso e cada um de nós tem que fazer algo por ele, seja denunciando a péssima gestão da coisa colectiva ou aplaudindo as boas práticas, ou mesmo passando para a linha da frente de modo a mostrar como ser útil em uma sociedade que requer contribuição de todos para retomar o seu rumo.

Depois de termos, nós o Evidências, denunciado o vazio da propaganda do ministro Celso Correia, seguida de desdramatização da sua fauna acompanhante que pulula nas redes sociais, escondida atrás de perfis falsos, testemunhamos, há dias, os esforços em, finalmente, empurrar o projecto para frente, através da distribuição de tractores aos agricultores e a intimação dos extensionistas para assinarem termos de início de actividade, um ano depois e quando muitos já haviam perdido esperanças.

Tarde ou não, os PACE’s estão finalmente a beneficiar-se. Os extensionistas, por sua vez, também já deixaram de engrossar a fileira dos desempregados e de meros chutadores de latas. Já tem um horizonte e foram renovadas esperanças de, a breve trecho, iniciarem as actividades. Finalmente, as mais de duas mil motorizadas irão ser descarbonizadas!

É muito pouco para ambição que foi propagada, mas não deixa de ser um passo que nos tira de um ponto. Isso é função pública do jornalismo e não podíamos nos sentir tão úteis para esta nossa pátria. Entregamos o couro às balas em nome dos que não têm voz e conseguimos.

Levantamos ainda nestas páginas a não canalização do Apoio Social Directo pós-Emergência (PASD) no âmbito da Covid-19. E agora o Governo está lá a distribuir dinheiro aos pobres, que inclusive estão a lutar por ele. Alista-se na mesma linha o caso de Armazéns Anita, que ficamos a saber que está no Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) e já num estado avançado de investigação. Sem falar das recentes denúncias que retratam o desprezo pela vida nos hospitais do país, que, segundo nos foi informado pelo MISAU, também estão em investigação. No fim do dia sentimos que estamos a dar o nosso contributo.

E, há dias, assumimos o compromisso de trazer o perigo patente que paira sobre a nossa companhia de bandeira, a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). É um problema sério que transcende o despesismo público, com aluguer de aviões que não voam e pagamentos a pilotos que nada fazem por falta de aeronaves para voar, até problemas de manutenção que chegam a levar técnicos a usar equipamentos suspeitos nos aviões. Sobre isso falamos noutras páginas e edições, deixando no momento o desafio, a quem tem poder, de fazer uma investigação séria para se apurar a saúde técnica e financeira da LAM.

Somos apenas miúdos inconformados, que, muitas vezes, fomos mal interpretados, por quem não gosta de ser escrutinado, mas as nossas críticas não são para fragilizar o país que é também nosso, mas para ajudar os políticos a abandonar o populismo falso e colocar os pés no chão, intimar-se com o país real e tomar decisões que vão de encontro às necessidades dos 30 milhões de moçambicanos. Para nós não basta só fazer discursos com olhos no dinheiro dos doadores ou na manutenção do poder, Moçambique não é dos ocidentais e o poder encontra manutenção na satisfação dos governados.

O que vem vertido nesta nova plataforma, feita exclusivamente por jovens, não passa de uma espécie consultoria grátis que estamos a prestar e, antes de tudo, um dever de contribuir num país onde todos os actores são importantes, mesmo que sejam conotados com grupos de interesses desconhecidos, por se indignarem com a tamanha ausência de uma liderança capaz de pôr freios aos raptos, fome, corrupção, despesismo público, gangsterismo, conflitos armados e, agora, à insurgência em Cabo Delgado e ao alto custo de vida, investindo em discursos que estão a leste da realidade e da verdade.

O facto de sermos filhos da mesma pátria nos coloca na mesma balança de direitos e deveres investidos a qualquer moçambicano, de contribuir com recurso ao Jornalismo patriótico, que nunca se pode confundir com algum alinhamento político partidário.

Apesar da relutância dos nossos gestores públicos às preocupações do povo, assistimos que quando as evidências não podem ser abrandadas por um discurso propagandista, há sensibilidade para contornar as críticas, fazendo o que deve ser feito, mesmo que a motivação não tenha a ver com qualquer compromisso público com os servidos, mas com interesses estomacais de manutenção do poder. O que interessa é o resultado final.

Escrevemos estas linhas pensando nos desenvolvimentos recentes das matérias acima referidas e outras, e no discurso do Presidente da República, Filipe Nyusi, que orientam os jornalistas a não serem reprodutores de “vontades contrárias à unidade dos moçambicanos, difundindo informações incorretas e ou manipuladas, destinadas a desmotivar o cidadão de contribuir para o desenvolvimento do país”.

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