Quatro rádios comunitárias encerram actividade em Cabo Delgado

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As “dívidas ocultas”, crime organizado, conflitos político-militares, insurgência em Cabo Delgado e as incertezas eleitorais em 2019 são parte dos factores que colocaram em declínio a Liberdade de Imprensa e de Expressão em Moçambique. A informação consta do mais recente relatório do MISA Moçambique, publicado nesta segunda-feira, quando o mundo celebrava o dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Recorrendo a exemplos práticos, relatório escreve que em Janeiro de 2019, após o início da campanha “Eu não pago dívidas ocultas”, o Centro de Integridade Pública (CIP) viu suas instalações controladas pela Unidade de Intervenção Rápida (UIR, obrigando as pessoas trajadas de camisetes da referida campanha a despirem e entregar aos agentes da Polícia. Situações como estas, de acordo com o MISA Moçambique, só ocorrem em regimes autoritários e de limitação das liberdades de expressão, de reunião e de manifestação.

O ano passado (2020) foi marcado pelo silenciamento da liberdade de imprensa e de expressão, em Cabo Delgado, consubstanciada pelo encerramento de quatro rádios comunitárias (Mocímboa da Praia, Macomia, Tomás Nduda e São Francisco de Assis, em Muidumbe) devido a ataques e ocupações terroristas às sedes daqueles distritos.

“Se nos casos das Rádios São Francisco de Assis, Tomás Nduda e Macomia, o encerramento resultou da acção dos insurgentes, o mesmo não se pode dizer da Rádio Comunitária de Mocímboa da Praia, que viu seu equipamento recolhido por militares, em Junho de 2020, de acordo com relatos dos colaboradores da emissora.  Os jornalistas descrevem o cenário de Cabo Delgado como caótico para o seu trabalho”, detalha o documento que temos citado.

O incêndio à redacção do semanário Canal de Moçambique, é um outro caso que foi usado pelo MISA Moçambique para ilustrar o quão a liberdade de imprensa está ameaçada em Moçambique. Lembre-se que a redacção do semanário Canal de Moçambique, ficou totalmente destruída por fogo posto, a 23 de Agosto de 2020, por indivíduos desconhecidos, o que foi pela opinião pública considerado o cúmulo do ódio à Liberdade de Imprensa. Preocupante foi, ainda, a manifesta apatia das autoridades policiais na investigação e esclarecimento do atentado, não havendo, até hoje, nenhuma informação do seguimento do caso.

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