Economia de Conhecimento: Desafios e oportunidades na esfera de negócios (1)

OPINIÃO

Por: Teodósio Camilo

Na conjuntura sócio-económica actual, o conhecimento tornou-se um importante recurso intangível, conceituado como informação, capital intelectual, constitui herança colectiva e diferencial nas organizações. As mudanças das relações sociais, económicas, geográficas e políticas trazem novos parâmetros que geraram desafios na provisão de informação e conhecimento aos demais segmentos da população. Este cenário é caracterizado pela adopção de novos paradigmas que permitem à interpretação de fenómenos que ocorrem na sociedade.

Nesta visão, o léxico conhecimento ampliou o seu campo de significação, forjou-se uma combinação com a esfera economia, surgiu, desta forma, o termo economia de conhecimento. Porém, o termo economia de conhecimento não é consensual. Alguns o denominam economia de informação, economia digital, nova economia, economia de pensamento e sociedade de risco. Entretanto, todas estas expressões fazem-nos compreender que estamos na era da informação.

Sob ponto de vista histórico, a informação, como um recurso, remonta das sociedades pós-industriais, surgiram as primeiras agremiações de conhecimento, resultado das novas formas de oferta e procura do conhecimento científico, introduziram-se novos modelos de produção e provisão de informação, construção de conhecimento e o respectivo acesso aos diversos segmentos comerciais (Drucker, 1993 & De Souza, 2006).

No sentido de permitir a melhor compreensão do tema, a presente análise cingir-se-á na percepção do conhecimento gerado nas organizações e no indivíduo, mas com impacto directo nas instituições. A indagação visa tecer contribuições que possam influenciar aos agentes económicos do sector privado, estudantes formados em diversas universidades moçambicanas e os demais interessados para que possam se interessar em desenvolver acções, na esfera Nova Economia, sendo um campo fértil no aprimoramento do ambiente de negócios.

O conhecimento apresenta características intrínsecas. Pode ser tácito ou explícito. Denomina-se tácito quando este reside na pessoa e é explícito quando se apresenta em suportes externos do indivíduo. No prisma organizacional, o conhecimento pode ser produzido dentro ou fora de uma organização. Quanto à natureza de produção, o conhecimento estratifica-se em conhecimento gerado e o adquirido.

O conhecimento gerado pode ser produzido de forma individual, grupo de indivíduos ou instituição corporativa, uma agremiação, ou seja, pessoa colectiva. As organizações que integram o conhecimento, na sua estratégia de desenvolvimento, como um factor imprescindível, agregam valor ao seu crescimento e torna-se vantagem competitiva no mercado.

Por conseguinte, o conhecimento adquirido está intimamente conectado às actividades da organização e geralmente é gerada de forma externa. Esta posição ilustra que todas as organizações podem ter acesso ao conhecimento, pois, o conhecimento adquirido costuma ser de menor valor que o gerado.

Neste ângulo de abordagem, as inovações do conceito conhecimento e a respectiva aplicação anulam o prisma anterior que considerava a tecnologia, factor de vantagem competitiva das organizações, no mundo de negócios, pois reduz os custos de operação, tempo de produção, aplicação de reduzida quantidade de mão-de-obra laboral na indústria.

É indubitável que, actualmente, o conhecimento constitui o diferencial das organizações. As experiências, acumuladas ao longo tempo, resultam do conhecimento aplicado pelos membros de uma organização. As mudanças ocorrem por que o capital humano, o agente gerador das mudanças, aplica o seu conhecimento no exercício das suas actividades de forma a melhorar a sua existência e responder às suas necessidades. Todavia, o conhecimento atingiu o seu apogeu com a massificação do uso das TIC’s e a Internet ganharam relevância na esfera de negócios.

Nesta concepção, os empreendedores, microempresas, pequenas e médias empresas (PME´s) devem compreender que, contemporaneamente, não se pode pensar em desenvolver negócio sustentável ignorando a utilização das TIC’s e Internet, pois, são, por excelência, ferramentas de gestão de negócios, disseminação de informação e de conhecimento.

Não obstante o importante contributo que as TIC’s e a Internet desempenham na esfera de negócio, não substituem o capital humano das organizações. O Capital Humano é o autor das mudanças, é o arquitecto das dinâmicas sociais e das respectivas necessidades, procura criar melhores condições que asseguram a sua existência. Neste prisma, o homem é, por excelência, o agente que gera a informação, gestor e consumidor de conhecimento.

Jim Collins (2001), na sua obra Good-to-Great Companies, evidencia o papel do conhecimento no crescimento das empresas e explica as razões pelas quais algumas empresas conseguem ascender do bom à excelência e, em contrapartida, outras nem chegam a dar um passo. Segundo Collins, as organizações que detêm melhor informação qualitativa afiguram-se em vantagem competitiva que as que não a têm.

Esta percepção permite-nos compreender que a falta do acesso à informação e ausência de estratégia clara de gestão de conhecimento determina a fragilidade, sucesso e ou insucesso de organizações, razão pela qual algumas empresas são formidáveis e outras enfrentam dificuldades de responder às exigências do mercado. Por isso, nenhuma organização desinformada, sem boa estratégia de gestão de conhecimento, que não valoriza a informação de forma a satisfazer às necessidades dos públicos internos e externos, pode sobreviver no mercado de negócios competitivos.