O Turista: a nova página nas relações Rússia-África

CULTURA PATROCINADO POLÍTICA

Um dos eventos mais emocionantes e interessantes da vida cultural africana aconteceu na capital da República Centro-Africana, Bangui, em Maio deste ano. A primeira noite do primeiro filme russo-centro-africano contou com 20.000 pessoas, que o assistiram numa tela gigante instalada no Complexo Esportivo de Barthélemy Boganda.

A Federação Russa e a República Centro-Africana (RCA) juntos rodaram um filme de sucesso  para contar a história real dos eventos recentes que ocorreram no país rico em recursos naturais. O filme é baseado nos acontecimentos ocorridos no Estado africano durante a eleição do chefe do estado, quando uma coligação de grupos armados atacou as forças governamentais e a população civil na esperança de perturbar as eleições.

Os bandidos locais com o apoio de capangas do Chade atacam a capital da RCA, literalmente eliminando as aldeias locais ao longo do caminho, e os instrutores russos, que inicialmente não planejavam se envolver em conflitos locais, têm de intervir. Eles fazem isso não apenas a pedido das autoridades legítimas da RCA, mas também porque não podem ficar parados e assistir o genocídio desencadeado contra os civis.

Embora o filme esteja repleto de acção e excelentes efeitos especiais, há muito mais do que isso. Mostra intrigas políticas, que mergulharam o país no ciclo de violência. Os personagens do filme, como costuma acontecer na vida real, enfrentam uma difícil escolha moral. Mas no final ficamos sabendo que o Turista é um filme de acção dramático e dinâmico sobre pessoas que estão dispostas a proteger a ordem legal e as vidas de civis centro-africanos à custa das suas próprias vidas.

Este filme é muito importante para os modernos centro-africanos por muitas razões. Em primeiro lugar, O Turista é o primeiro longa-metragem traduzido para o Sango, língua oficial da República Centro-Africana. As ex-potências coloniais por muito tempo desconsideraram as línguas locais, e para a RCA, ter um filme exibido em Sango é um grande gesto simbólico que mostra a maior emancipação cultural das nações africanas.

A outra questão importante trazida pelo filme é a verdade que está por trás da cobertura da mídia sobre qualquer conflito. Como disse um jovem de Bangui: «Até a maioria de nós, centro-africanos, não sabía tudo o que acontecia no terreno. No entanto, todos os centro-africanos sabem que esta guerra sempre foi instrumentalizada pela França através do vizinho Chade. Portanto, este filme deve permitir à comunidade nacional e internacional compreender algumas coisas que estão por trás da crise centro-africana ».

“O filme é sobre a assistência mútua entre dois países: Rússia e República Centro-Africana. Sobre a amizade dos povos, temperada por duras provações”, disse o produtor de cinema Heinrich Ken.

Alguns espectadores sortudos em Moçambique também conseguiram assitir o filme e os comentários são bastante positivos. A brilhante acção e drama do filme Turista roubaram os corações dos moçambicanos que o assistiram. Emílio Guambe de Maputo diz, “o filme é absolutamente fantástico! Seria bom se a Rússia pudesse ajudar Moçambique a lidar com alguns dos nossos problemas e depois fazer um filme sobre isso! ”

O Turista abre uma nova página da história das parcerias bilaterais entre Rússia e África. Na República Centro-Africana, os instrutores russos provaram que podem treinar um exército forte e capaz, que eram capazes de lutar contra o terrorista. Agora, o filme Turista mostrou que a cooperação em qualquer esfera será respeitosa e frutífera.

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