Economia de Conhecimento: Desafios e oportunidades na esfera de negócios 3

OPINIÃO

Por: Teodósio Camilo

Davenport & Prusak (2012) argumentam que à medida que as organizações interagem com seus ambientes, absorvem informações, transformam-nas em conhecimento, agem como base na combinação do conhecimento com suas experiências, valores e regras internas. A produção do conhecimento ocorre igualmente quando um novo conhecimento é gerado na organização, pressupõem-se que o activo intangível resulte a partir da combinação do conhecimento explícito e tácito dos indivíduos (Nonaka e Takeuchi, 1995).

Porém, os autores referem que a criação do conhecimento organizacional deve ser entendida como o processo que amplia organizacionalmente o conhecimento criado pelos indivíduos e cristaliza-se como parte da rede de conhecimentos organizacional (Argote et al., 2003).

O conhecimento transforma-se em acção pelo impulso da motivação. O uso de conhecimento, na solução de um problema é um processo de transferência da internalização à interacção com o artefacto. Sendo a motivação para utilização de conhecimento é essencial à sua aquisição.

O conhecimento não necessita ser recém-criado, apenas ser novidade na organização. Entretanto, Davenport & Prusak (2012) ressaltam que uma empresa que gera conhecimento no contexto de sua cultura específica, a cultura é o recurso corporativo mais difícil de transferir. O conhecimento também pode ser alugado ou financiado. Por exemplo, uma empresa pode financiar uma pesquisa universitária ou institucional, em troca do direito de propriedade. Assim, alugar conhecimento significa apropriar-se de uma fonte de conhecimento. 

O conhecimento é sinergético. A maioria das pessoas não compreende que quanto mais usa o conhecimento mais se aperfeiçoa e aumenta. O conhecimento não se esgota ao transmitir, quem transmite colabora para a sua multiplicação. O conhecimento é dinâmico, reestrutura-se e não está normalizado na estrutura de cérebro do conhecedor.

O conhecimento evolui e a sua evolução afecta a respectiva estrutura. Quando alguém ou uma organização aperfeiçoa o que faz, está a transformar o conhecimento, estabelece novas relações e estruturas nas quais pode sustentá-lo, tanto que o processo de aprendizagem a nível do indivíduo ou das organizações é contínuo.

A sobrevivência das organizações, para responderem às necessidades exigidas pelo mercado, é a aprendizagem constante de forma a aperfeiçoar o conhecimento e torna-lo activo intangível, diferencial e herança colectiva.

A aquisição do conhecimento obedece a um ciclo de vida, igualmente denominado espiral de conhecimento. O ciclo de vida de conhecimento compreende a criação, fase em que se concebe através de determinada colecta ou geração de informação organizacional. Estamos perante ao conhecimento tácito. Após esta fase, segue-se a consolidação no seio da organização. Observa-se um exercício constante de se tornar um activo intangível colectivo da organização. Refere-se ao conhecimento explícito.

Quando uma organização tem o seu conhecimento consolidado no seio organizacional, requer que a mesma trace estratégias de distribuição do conhecimento para que este activo intangível se torne acessível a todos os segmentos dos públicos internos e externos da organização.

E, em seguida, combinação entre as diferentes áreas de aplicação. A análise e interpretação do conhecimento são tarefas que originam transformações desta herança colectiva e conduz-nos à criação do novo conhecimento a partir do existente.

A espiral de conhecimento não é um procedimento linear ou sequencial, mas sim exponencial e dinâmico, parte de elemento humano, das necessidades de contrastar e validar suas ideias e premissas. Assume-se que, através da experiência, cria-se conhecimento tácito, contextualiza-se, convertendo-o em explícito individual. Ao compartilhá-lo através de diálogo com qualquer agente que intervém na organização, converte-se em conhecimento explícito organizacional, social, internalizam-se as experiências comuns transformando-as em herança colectiva e, por conseguinte, integram-se na cultura organizacional.

Economia baseada em conhecimento

A economia de Conhecimento, ou seja, Nova Economia, Economia de Pensamento, Economia de Informação, Economia Digital, também denominada Sociedade de Risco, enfatiza o conhecimento como factor-chave para o crescimento das organizações e converte-se como impulso do crescimento económico de um determinado país (Farrel, 2001).

O capital intelectual coloca um país em posição de vantagem competitiva na provisão de ferramentas importantes para o crescimento económico, bem como fornecimento de mão-de-obra especializada em determinadas áreas económicas. Este processo resulta de estratégias claras a longo prazo e as respectivas políticas, em torno do valor que se atribui na construção de conhecimento como património intangível e herança colectiva.

A percepção de que o simples facto de um determinado país apresentar abundância de recursos naturais é automaticamente rico põe-se em causa quando se analisa o papel que o capital intelectual desempenha na construção da economia de conhecimento. Assumindo a posição de que o capital humano é o agente activo das dinâmicas rumo ao desenvolvimento, torna-se claro que a corrida à exploração dos recursos naturais, é o caso de Moçambique, deve ser acompanhada de políticas claras que estimulam a geração de conhecimento, em diversas áreas de saber, formação de jovens, no sentido de se construir o capital intangível.

Uma correcta implementação de políticas claras sobre a produção, disseminação e partilha de conhecimento, em diversos sectores de desenvolvimento, permite que a economia não seja simplesmente centrada na exploração de recursos naturais existentes, mas sim valoriza o conhecimento existente nos diversos sectores de desenvolvimento.

O sector económico privado, por exemplo, carece de cultura organizacional que incentive a geração e partilha de conhecimento no seio dos membros activos da empresa. Esta posição permite perpetuar um determinado conhecimento como um activo intangível organizacional. 

A disseminação de conhecimento pode envolver também questões relacionadas à transferência e partilha. Uma vez identificado o conhecimento relevante para o negócio ou fim social da organização, para a sua disseminação pode se recorrer a workshops, eventos de socialização, educação corporativa organizacional.

Na mesma visão, as organizações devem igualmente integrar estratégias de gestão do conhecimento e assegurar que o conhecimento presente em uma organização seja aplicado produtivamente em seu benefício bem como garantir que a sua distribuição seja sucedida (De Souza, 2006).