O Jornalismo não prospera com elogios

EDITORIAL

O jornalismo não prospera com elogios e nem sobrevive de convites para um jornalismo patriótico, como se escasseasse, por aqui, o profissionalismo que se espera de profissionais de comunicação social. Nessa nossa democracia fechada, ralamos para conseguir informações que permitem ao público uma visão próxima da realidade quotidiana e aproxima o servidor público do povo. Um esforço que demanda todos os recursos para contornar a burocracia que tenta nos vedar o acesso à informação de qualidade, que permite medir a eficácia das instituições e a competência dos nossos gestores, incluindo os resultados dessas acções aos declarados beneficiários.

E quando pensamos que é um exercício acabado, esse esforço que devia ser compensado, é manchado pela circulação cruel do jornal, através das redes sociais, que mina a compensação de quem corre atrás dessas informações. Infelizmente, constrange-nos saber que afinal o povo paga pela informação, mas a nossa elite, de deputados a ministros, de posição a oposição, tem dificuldades de ler o jornal em papel e recorre a um jornal scanneado, com péssima qualidade de visibilidade, chegando ao orgulho de afirmar que “vocês estão a fazer um trabalho inquestionável. São jovens com coragem e estão a resgatar os valores do jornalismo que com o tempo se perderam. Leio sempre o vosso jornal. Recebo-o no email ou por vezes no whatsap”.

Fere-nos o coração e esvazia qualquer acção de encorajamento, quando quem nos elogia é incapaz de pagar pelo jornal, que existe até em plataformas digitais, com a facilidade de pagamento electrónico para ler no Computador, Tablet e Smatphone. No caso particular do Evidências, tivemos essa atenção de atender aqueles leitores que têm dificuldade de aceder o papel e criamos plataformas que permitem leitura do digital sem recorrer ao scanner do tablóide.

A ideia era permitir que qualquer um, a partir de qualquer canto do país e do mundo, até o buraco mais recôndito, pudesse ter direito de comprar e ler Infelizmente, todos os dias dedica parte do seu tempo para scannear o jornal e enviar para todos os seus contactos. Informações não confirmadas apontam que funcionários do Gabinfo, quais sabotadores, é que dedicam todas as suas forças para disponibilizarem o jornal aos seus amigos, que, acto contínuo, fazem chegar aos Whatsap. Uma baixaria que se estende aos assessores, que procuram pela informação em função da capa, renunciando a sabedoria de que as chamadas principais são apenas as eleitas pela redacção, por causa de muitas variáveis, desde exclusividade à relevância, não necessariamente as mais importantes de uma edição. Não é preciso ler tudo, mas é imprescindível estar a par de tudo.

E depois que se assume a relevância de manter-se informado a partir de uma determinada fonte, é preciso acompanhar e pagar pela informação, de modo a evitar incomodar as redacções por uma edição que esgotou, só porque esperou comentários de leitores responsáveis para depois procurar se informar. Passadas as duas barreiras, seguem- -se aqueles que têm a missão de destorcer a verdade, confundir a opinião pública. É inevitável que isso aconteça quando a imprensa cumpre na íntegra o seu papel social. É nesse exercício que os detractores buscam colocar os veículos de comunicação social como inimigos do poder político, e os críticos, enquanto ainda não têm sorte de terem suas acções depravadas expostas, sentem-se representados, criando-se, assim, uma percepção destorcida do real papel do jornalismo, um jornalismo concebido para os valores mais nobres de uma sociedade democrática, ser actuante, fiscalizador e dar voz a todos, incluindo os que já têm espaço. Por causa da nossa postura, desde o primeiro berço, somos atribuídos uma paternidade ideológica e material que não a temos. Não nos identificamos com grupos e nascemos para fugir da à censura e o policiamento que graça na nossa praça, infelizmente. Do resto, o jornalismo não sobrevive de nenhuma das três variáveis, mas consolida-se nelas, confundido a mediocridade de classe que segue a leste da verdade, colocando o povo a um passo a frente do servidor público, devido à sede deste em manter-se informado.

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