“Os Zumas de Moçambique devem responder pelos seus actos” – Severino Ngoenha

DESTAQUE POLÍTICA

Reagindo sobre a chegada da cavalaria ruandesa sem prévia comunicação oficial, Ngoenha critica a apatia do parlamento e questiona o pacto à luz do qual foi dado ao Presidente da República, Filipe Nyusi, o direito de decidir sozinho sobre a vida e morte dos moçambicanos, para depois concluir que os políticos abusam do poder e nas entrelinhas atira: “acho que com os dados que temos à disposição, os Zumas de Moçambique e Angola podem passar pelo mesmo processo”.

Falando, semana finda, numa mesa redonda sobre “Indústria Extractiva e Insurgência em Cabo Delgado”, organizada pela OXFAM, o professor catedrático, Severino Ngoenha criticou o Presidente da República, Filipe Nyusi e o Governo, pelo secretismo havido no processo da chegada das forças ruandesas em Moçambique.

“Não sabemos porque os ruandeses chegaram primeiro em vez da SADC. Não há comunicação de como as decisões são tomadas. Numa organização de carácter político existe um parlamento e este devia ser mais representativo. Um parlamento com a maioria esmagadora deixa de ser um espaço para a troca de opiniões. O nosso parlamento não é representativo.

Na sua intervenção, o académico não quis deixar a oportunidade de falar da actualidade sul-africana. Para Ngoenha, os governantes angolanos e moçambicanos devem ser responsabilizados pelos seus actos tal como acontece com o antigo estadista sul-africano.

“Estamos a assistir o que está acontecer na África do Sul. É uma violência. O Zuma está a pagar por aquilo que fez. Em Moçambique os políticos abusam do poder. Não é que queira alguém na cadeia, mas é importante que se saiba que o direito é igual para todos. Quando um miúdo rouba pão a polícia persegue e prende. Aliás, até é capaz de espancar até matar, mas não fez o mesmo as pessoas a quem nós confiamos a responsabilidade de zelar pela vida colectiva… acho que com os dados que temos à disposição os Zumas de Angola e Moçambique podem passar pelo mesmo processo”.

Leia o artigo na íntegra na Edição Imprensa já nas bancas