Camiões com destino a Zimpeto estão retidos na África do Sul

ECONOMIA SOCIEDADE

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro) anunciou, na semana passada, que existem camiões retidos na África do Sul, transportando bens essenciais para Moçambique. Impedidos de circular devido às várias pilhagens e violência naquele país vizinho, os camiões descarregam, na sua maioria, seus produtos no mercado grossista do Zimpeto, em Maputo, alimentando não só a região do grande Maputo, como também as restantes províncias do país.

Na semana passada, já se reportava a escassez de produtos como batata e cebola no mercado grossista do Zimpeto, produtos importados, maioritariamente, da África do Sul. Aliás, o Presidente da República, Filipe Nyusi, já tinha alertado que dada a posição estratégica da África do Sul na economia regional, “se a actual agitação não for controlada, a mesma terá um impacto negativo na cadeia de abastecimento de bens essenciais da região”.

Com efeito, no final de semana passada, assistiu-se, naquele que é um dos maiores centros comerciais de Maputo (Zimpeto), à escassez de produtos e um vazio não característico no espaço reservado a camiões.

De acordo com Castigo Nhamane, presidente da Fematro, citado pela Lusa “ainda é cedo para termos a dimensão dos números, mas podemos garantir que temos camiões com bens essenciais retidos na África do Sul”.

Os transportadores moçambicanos de carga e pessoas já suspenderam as viagens à África do Sul.

“Desaconselhamos vivamente viagens à África do Sul enquanto a situação não serenar”, defendeu ainda Castigo Nhamane.

A violência no país também pode resultar em falta de bens essenciais em Moçambique. A declaração é de Sudekar Novela, presidente da Associação Mukhero (associação de pequenos importadores informais de Moçambique).

“É mais do que óbvio que se a situação não se pacificar na África do Sul teremos uma escassez de bens e subida de preços, porque dependemos de importações de alimentos do vizinho”, afirmou.

Os protestos violentos tiveram início no final da semana passada, depois do antigo presidente do país, Jacob Zuma, se ter apresentado às autoridades policiais para cumprir a sua pena de 15 meses de prisão.

Zuma, recorde-se, foi recentemente condenado pelo Tribunal Constitucional por ofensa à justiça ao recusar testemunhar sobre a corrupção que assola o país, da qual é considerado um dos protagonistas.

O ex-chefe de Estado viu-se forçado a demitir-se do cargo em 2018, devido a um avolumar de acusações. Apesar disso, continua bastante popular em certas franjas da população e no seu partido, o ANC.

De evidenciar que o governo já apelou várias vezes à calma e enviou tropas para as zonas onde estão a ocorrer motins, atitude que não parece estar a surtir efeito.

“O número total de pessoas presas é agora de 1.232 e o número de mortes de 72 pessoas”, avançou em comunicado o Comando Nacional Operacional e de Inteligência Conjunto.

Segundo dados divulgados pela polícia sul-africana, há 45 mortos em Gauteng e foram efectuadas 683 detenções. Por sua vez, no KwaZulu-Natal, leste do país, há registo de 27 mortos e 549 detenções.

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