Camaradas chumbam candidato de Celso Correia e Mety Gondola em Nampula

DESTAQUE POLÍTICA
  • Tentaram eleger Emiliano Mailquela como primeiro secretário provincial

Quem esteve na Escola Central do partido Frelimo, durante os dias 22 e 23 de Maio, deve ter notado um certo à vontade por parte de Celso Correia, passeando em conversas com outros membros e mais exposto a jornalistas, de quem conseguiu arrancar uma conferência de imprensa, numa sessão em que muitos optaram pelo silêncio.

Na verdade, Celso Correia, uma velha raposa que conhece muito bem os corredores da manipulação dos resultados e o preço que se paga para eleger um candidato na Frelimo, estava a distribuir sorrisos a estabelecer suas bases para as próximas lutas.

Uma semana antes do Comité Central, junto com Mety Gondola, secretário de Estado da Província, tentaram fazer eleger Emiliano Mailquela, recorrendo, para o efeito, à compra de votos, como parte de uma estratégia para colocar primeiros secretários provinciais e distritais da sua confiança para facilmente manipular as internas.

No entanto, mesmo com tanto dinheiro gasto comprando delegados, Celso Correia e Mety Gondola tiveram a primeira derrota e foram rechaçados em Nampula, um local de influência de Margarida Talapa. Emiliano Mailquela acabou perdendo diante de Luciano André de Castro, com 58 contra 65 votos.

Mety Gondola é actual braço direito de Celso Correia e ambos têm sido vistos juntos em reuniões de hotéis em Maputo e em Nampula, provavelmente desenhando estratégias de assalto à Ponta Vermelha. Recentemente, estiveram num dos hotéis mais badalados da capital reunidos, naquilo que pode ser o alinhamento de estratégia para atacarem as outras províncias.

É que Celso Correia, gestor de sacos azuis como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), com contas mal paradas, é o cérebro por detrás do terceiro mandato, e está a preparar tudo para que caso a ideia não vingue, como tudo indica, ele mesmo seja candidato, daí estar a usar fundos do Sustenta e de outros projectos para comprar lealdade nas províncias, num pacote que inclui a eleição dos primeiros secretários. Em Tete, um dos beneficiários do Sustenta é a esposa de César Carvalho, um frelimista influente, enquanto noutras províncias o dinheiro caiu em contas de pessoas sem terra.