Com os cofres vazios, Comiche joga pela vida!

EDITORIAL

Eneas Comiche socorreu-se da emergência das medidas para a contenção da Covid-19, para limpar os informais que alimentavam as receitas do município.

O sucesso desta medida foi sustentado pelos aplausos dos que se concentravam no imaginário de uma cidade limpa, segura e livre de aglomerados dos vendedores informais que desconfiguram o centro de Maputo, deixando de lado questões importantes, as vítimas, o impacto orçamental das suas actividades dentro dos cofres do município e própria incapacidade do município de gerir o assunto.

Como tem sido apanágio, não se fez o levantamento básico que devia ter antecipado medidas similares, como registo sério dos informais, organização dos mercados e posterior distribuição. Os aplausos desfocavam o horizonte deste edil octogenário, repescado do conforto de sua merecida reforma para liderar a ilusão “Txuna Maputo”. Faltando dois anos para o fim do mandato, o futuro da cidade de Maputo continua incerto.

Diante da incapacidade de “Txunar Maputo, bairro a bairro”, o velho que havia prometido uma solução mágica decidiu agitar a cartola e tirou a incrível ideia de ir Txunar os Cemitérios um a um, para ver se consegue sair-se bem gerindo os mortos já que não está a conseguir dirigir os vivos.

Com uma governação municipal enganosa quanto desastrosa, Comiche está a empurrar Maputo para o abismo igual aos “buracos” dos cemitérios que hoje custam mais que o salário mínimo. De tirada em tirada vai nos entretendo, enquanto o tempo passa.

Por conta de medidas atabalhoadas e despidas de qualquer análise, a cidade ficou mais problemática desde que tomou o poder, com os cofres municipais mais vazios, problemas socioeconómicos agravados nos bairros e os buracos mais visíveis nas escangalhadas estradas de Maputo. Aliás, nessa de vender covas, faltou colocar o preço das enormes crateras da vergonhosa Av. Guerra Popular.

A coitada da Covid-19, qual bode expiatório de incompetentes, tem lhe sido apelidada a paternidade de todo tipo de desgraças nos territórios em que a má governação e falta de ideias imperam. Vai daí que neste momento o grande culpado, de até agora Comiche e seu elenco não terem movido um bloco sequer na sua empreitada de txunar Maputo seja a Covid-19, a mesma que foi pretexto para a retirada dos vendedores das ruas sem que houvesse condições objectivas para os acolher em mercados formais.

Como tal, os informais, obviamente mais organizados, trataram de encontrar formas de voltar às ruas onde ganham a vida, mas como a sua presença já ilegal foi redondamente ilegalizada, agora vendem os seus produtos nas pastas e plásticos e não pagam nenhum tostão de imposto como acontecia antes.

E o município tem estado a reclamar receitas. Afinal os centavos diários de milhares de informais somavam qualquer cota considerável ao fim de trinta dias. E sem condições, o dono da Covid-19 em Moçambique começou desesperadamente a procurar onde ir buscar dinheiro para alimentar seu orçamento gordo.

É daqui que inicia essa busca felina por mais orçamento com a introdução de novas fontes de recolha. Começou com introdução de taxas dos Txopela e foi aplaudido.

E depois vieram os M- Estacionamento, o cúmulo de desastre, mas as críticas foram controladas com publicidades na Imprensa. Até um PCA foi indicado para gerir as duas avenidas que impõem o uso de M- Pesa, sem opções de outros pagamentos, quando poderiam ter sido introduzidas melhores plataformas de pagamento, mas antes, há espaço para isso? Não se pode cobrar estacionamento nos passeios.

E agora são os mortos! Independentemente de quando foi a última mexida das taxas funerárias, em nenhuma parte do mundo um reajuste de serviços básicos transcende 100 porcento, mas aqui nos damos ao luxo de andarmos em mais de 500 porcento. E porque quem tem a “Frelimo que fez e faz”, tem tudo, o roubo foi legalizado.

O primeiro insulto começa com cobrança aos mortos, depois segue o reajuste de mais de 500 % por um serviço básico, em um momento em que as famílias reclamam. É preciso que o município pare de extorquir. Já o faz a polícia. E comece a construir infraestruturas básicas. É uma vergonha que em três anos só tenha inaugurado 750 metros de estrada. É preciso que se criem condições para uma melhor organização dos cemitérios sem incomodar pessoas num momento de infortúnio. Devolva aos munícipes o direito de morrer em paz e às famílias o sossego de chorar sem sufoco da sua insensibilidade Sr. Comiche!

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