Intervenção da SADC e Ruanda: Nyusi esclarece que foram definidas áreas de actuação para cada grupo

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O Presidente da República, Filipe Nyusi, explicou no lançamento da missão da Força em Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), que foram definidas as áreas geográficas onde estes e outros irão actuar, não havendo nenhum espaço para descoordenação.

“Temos a confiança de que que não há lugar à descoordenação, os comandantes no terreno já confirmaram que tudo está assente para o melhor entrosamento e articulação entre os contingentes empenhados”, disse o também Presidente da SADC, assegurando que as áreas geográficas de actuação de cada uma das forças armadas foram previamente definidas para permitir uma melhor prestação no terreno.

O também comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, ordenou que as forças da SADC são obrigadas neste momento a esclarecer por completo o triângulo Macomia-Oasse-Quissanga, o corredor Muidumbe Miangalewa, para além de fechar por completo a linha estratégica de Nangade e “consolidar as conquistas já conseguidas com muita bravura e completa”.

Ainda no discurso que lança oficialmente a Força em Estado de Alerta da SADC, que deveria ter iniciado as operações militares no dia 15 de Julho passado, Nyusi exigiu mais comunicação e troca de informações operativas no terreno, maior disciplina e respeito pelas vidas humanas, como é caraterística e tradição secular de combatentes da nossa região.

“Reforcem as vossas relações com as comunidades, através do apoio humanitário directo aos necessitados, sempre que poderem dar”, enfatizou. Na ocasião, o Presidente do Botsuana e do Órgão para a Cooperação na Área da Defesa e Segurança da SADC, Mokgweetsi Masisi, presente na cerimónia que decorreu nesta segunda-feira em Cabo Delgado, cidade de Pemba, disse que a restauração e manutenção da paz é mais do que a luta com inimigo, envolve igualmente o respeito pelos direitos humanos e a criação de condições para a prestação do auxílio humanitário.

Masisi enfatizou que “o mandato primário da força da SADC é apoiar os esforços de Moçambique na luta contra o terrorismo e extremismo violento”.

Dos 16 países que constituem a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), apenas cinco é que integram a Força em Estado de Alerta da região. De acordo com o comunicado da Presidência da República, apenas a África do Sul, Botswana, Angola, Lesotho e Tanzânia é que enviaram seus homens para as matas da província de Cabo Delgado.

Os restantes dez Estados-membros não enviaram, até ao momento, nenhum homem para palmilhar cada milímetro dos distritos afectados pelos ataques terroristas. São eles: Comores, República Democrática do Congo, Eswatini, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Namíbia, Seychelles, Zâmbia e Zimbabwe. Aliás, Malawi e Zimbabwe apenas enviaram um perito cada para as missões de coordenação.

Dos compromissos à prática

A vizinha África do Sul anunciou, em 28 de Julho, o envio de 1.495 soldados que deverão estar em Cabo Delgado, como o maior efectivo até agora. Um dia depois, o Zimbabwe revelou planos para enviar 304 soldados não combatentes para treinar os batalhões de infantaria de Moçambique. Angola comprometeu-se a destacar 20 militares da forca aérea, enquanto a Namíbia contribuirá com cerca de USD 400 mil para a ofensiva anti-insurgência. Junta-se a estes o apoio da Tanzânia, que inicialmente mostrou-se reticente.

No entanto, os dados partilhados em Pemba, indicam que 738 homens e 19 peritos entram nesta fase, sendo que a vizinha Tanzânia apresenta o maior número de elementos, são 274, entre pessoal do combate, administrativos e peritos. A vizinha África do Sul, que lidera as tropas, inicia a sua intervenção com um contingente de 270 homens, das forças terrestre, naval e aérea.

A Angola contará, nesta primeira fase, com 16 homens, que serão responsáveis pelo transporte aéreo, comando e controlo aéreo. O Botswana vai contar com 108 elementos, que integram as forças terrestre, aérea, inteligência aérea, logística, engenharia e comunicações.

Já a Tanzânia mobilizou 274 elementos para o terreno, integrando as forças terrestre e naval, o hospital de campanha e o pessoal administrativo. Enquanto isso, o Lesotho contará apenas com a força terrestre, constituída por 70 elementos.

No que tange aos mecanismos de coordenação, a missão da SADC contará com 19 peritos, dos quais seis são moçambicanos e três são da Tanzânia. Os restantes peritos são provenientes de Angola (dois), Botswana (dois), Lesotho (um), Malawi (um), África do Sul (dois), Zimbabwe (um) e do Secretariado da SADC (um).

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