Jaime Neto: “Estamos a capacitar as FDS para garantir a continuidade das acções que estão a ser levadas à cabo pelas forças amigas”

DESTAQUE POLÍTICA

Depois de quase dois na retaguarda, no segundo semestre do ano em curso, Moçambique decidiu para as forças estrangeiras com o intuito de repor a ordem e tranquilidade na província de Cabo Delgado. A chega das tropas estrangeiras trouxe grandes avanços na luta contra os grupos armados que desde 2017 semeiam luto e terror naquele ponto do país. Entretanto, nem sempre o auxílio militar estrangeiro tem um final feliz. O ministro da Defesa e Segurança, Jaime Neto, que o Governo está empenhado em melhorar as condições das Forças de Defesa e Segurança.

O Afeganistão é o mais recente exemplo de que nem sempre o auxílio militar estrangeiro vai durar para a eternidade. O governo dos Estados Unidos da América decidiu retirar as suas tropas daquele país asiático , abrindo espaço para que os talibãs reassumam o poder. Questionado sobre esse exemplo falhado, Jaime Neto assegurou que o Governo encontra-se a trabalhar para dar equipamento e formação às FDS.

“A responsabilidade da defesa de um território é dever das forças desse território. No caso de Moçambique, a responsabilidade primária é das nossas Forças de Defesa e Segurança. Temos connosco as forças amigas, que estão aqui para apoiar nessa luta, mas nós estamos a capacitar constantemente a nossa força para garantir a continuidade das acções que estão a ser levadas à cabo pelas forças amigas. Obviamente, não será de um dia para o hoje que teremos esse poderio. Foi estipulado um período de três meses para a permanência das tropas estrangeiras, havendo condições para elas retirarem-se. Enquanto estivermos capacitados nós iremos enfrentar a situação sozinhos”, disse Neto na entrevista que concedeu ao diário “O País”

No passado, o grosso dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) mostrou-se disponível a apoiar Moçambique no combate contra ao terrorismo excepto a Tanzânia. Para Neto este facto não corresponde à verdade, uma vez que as tropas tanzanianas estão no teatro das operações, desempenhando no presente papéis importantes.

“Por várias vezes a Tanzânia prestou solidariedade a Moçambique, prestando informação relevante. Temos vindo a trabalhar de forma conjunta e têm-nos ajudado a identificar os inimigos que atravessam a fronteira. A Tanzânia mandou a sua força, além de disponibilizar meios de trabalho para o patrulhamento da costa – disponibilizou os seus navios – achamos que é um apoio significativo. Este país sabe porquê que tem de apoiar Moçambique. A Tanzânia sabe que se não houver coordenação e cooperação, este fenómeno pode se alastrar para o seu território”, explicou.

Refira-se que com a chegada das tropas ruandesas, que segundo o Presidente da República tem larga experiência na luta contra o terrorismo, Moçambique conseguiu recuperar a vila da Mocímboa da Praia, atacada e ocupada pelos insurgentes em 2019.

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