Última hora: Tribunal sul-africano anuiu recurso do FMO e adia extradição de Chang que estava prevista para hoje

DESTAQUE POLÍTICA

Tudo estava aposto para que o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang fosse extraditado, hoje, para Maputo e inclusive já estava mobilizado um avião da Força Aérea moçambicana para o efeito, mas um recurso tempestivo do Fórum de Monitoria do Orçamento acaba de colocar tudo abaixo.

O Tribunal Superior de Gauteng, na África do Sul, acaba de aceitar o recurso, submetido ontem, por organizações da sociedade civil moçambicanas, representadas pelo Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), a contestar a decisão das autoridades sul-africanas de mandar Manuel Chang a Moçambique.

Um  voo da Força Aérea moçambicana já estava na África do Sul, tal como escreveu o Evidências em primeira mão, e esperava-se a qualquer momento aterrasse no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo, com Manuel Chang abordo onde deveria ser detido pelas autoridades moçambicanas, antes da legalização da sua prisão.

Evidências apurou que a Interpol havia se oferecido a trazer o antigo ministro, mas essa opção foi descartada para evitar que em caso de avaria do aparelho fosse aterrar de emergência num país vizinho com acordo de extradição com os Estados Unidos.

A tirada do FMO foi um golpe forte para as ambições da PGR e da Ordem dos Advogados de Moçambique, este último assistente do julgamento das dívidas ocultas em curso na BO, que havia solicitado o antigo ministro para ser um dos declarantes.

Agora, o assunto já transcende a vontade política e volta para o fórum jurídico, podendo ser julgado pelo Tribunal Superior daquele país vizinho.

Recorde-se que o FMO entende que a extradição de Chang para Moçambique resulta de um “acordo entre as elites moçambicanas e sul-africanas”, que se aproveitaram do arranque em Moçambique do julgamento no caso das dívidas ocultas para “legitimar a decisão”.

“O julgamento é teatral e foi montado para legitimar esta decisão, que representa a vitória do tráfico ilícito de capitais. Nós vamos contestar porque Manuel Chang em Moçambique não enfrentará realmente a justiça”, disse Adriano Nuvunga, na altura.

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