Ndambi Guebuza: “a PGR é um veículo usado para perseguir a minha família”

DESTAQUE POLÍTICA

Na audição que  decorreu, na quarta – feira, 30 de Agosto, na Penitenciaria de Máxima Segurança, vulgo BO, Armando Ndambi Guebuza mostrou que não tem “memória de elefante”. O filho do antigo estadista moçambicano respondeu o grosso das perguntas com a frase “não me recordo, já passa muito tempo” e denunciou que a Procuradoria da República é um veículo usado para perseguir a família Guebuza.

Antes do intervalo para ser assistido pelo seu médico, uma vez que não goza de boa saúde, Júnior ou Cinderela, assim como era carinhosamente tratado pelos seus amigos, falou do processo que culminou com a sua detenção, tendo acusado o juiz Alberto Paulo de o tratar como mafioso.

“Eu fui chamado para a procuradoria pelo Alberto Paulo que me fez algumas perguntas. Depois das perguntas tinha uma viagem para a Bilene, perguntei se no fim – de – semana iam precisar de mim e ele disse não. Fui a Bilene e no mesmo dia, a noite, disseram que precisavam de mim em Maputo e perguntei os porquês, eles disseram que queriam fazer uma revista na minha casa”.

“Perguntei aos advogados se podiam acompanhar a revista e eles disseram que queriam o dono da casa. Voltei e fizeram a revista, mandaram-me ler um documento e me prenderam, até hoje estou aqui. O juiz disse que era criminoso, era da máfia e que o meu lugar era na cadeia. Ele disse que era perigoso eu ficar na via pública porque podia continuar a cometer crimes. Depois disse que não queria me ouvir mais e que devia me retirar. Fora estavam jornalistas à minha espera e depois do Show começou ai”.

Nas perguntas feitas pelo Ministério Público, Armando Ndambi Guebuza voltou a ser um homem de poucas palavras. Guebuza denunciou que a Procuradoria Geral da República é usado para perseguidor a sua família.  “Não confio em vocês, vocês são mentirosos”, disse para depois acrescentar que “a Procuradoria Geral da República é um veículo usado para perseguir a família Guebuza. Eles fazem parte do contemplo. A minha irmã foi assassinada e depois veio a questão do pudim… mas até hoje eles ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Questionado se foi ele quem levou os documentos para o pai, Ndambi declarou que o Presidente da República tinha canais próprios. “Não fiz chegar nenhum documento, se recebeu, recebeu de canais próprios. É Chefe do Estado e tem canais próprios, a senhora está a dizer sou eu quem estava a governar o país?”, questionou o réu.

Ndambi desafia o Ministério Público

Houve um ambiente de cortar à faca entre o réu Armando Ndambi Guebuza e a procuradora Ana Sheila Marrengula. Quando questionado pela magistrada Se foi ele quem criou corredores de influência para que o seu pai aprovasse o projeto da proteção da Zona Económica Exclusiva, Ndambi confrontou a magistrada

“Eu estou a lhe fazer pergunta que resulta de contradição. Eu também estou a responder uma pergunta que resulta de contradição”, atirou Guebuza.

Diante do comportamento do réu, Ana Sheila Marrengula fez questão de elucidar o réu sobre a posição de cada um no tribunal.  “Sr. Ndambi, não estou a perguntar. Não faz perguntas”.

E grosseiramente Ndambi Guebuza ripostou: “Não, a senhora acha que eu é que governava o país? Não me coloca pergunta. Então é isso. Eu disse o presidente da república tem canais próprios”.

Mesmo com a explicação do Ministério Público, Ndambi Guebuza não se conteve, tendo a chamado de senhora. “ Não, a senhora acha que eu é que governava o país? Não me coloca pergunta. Então é isso. Eu disse o Presidente da República tem canais próprios”.

Para serenar os ânimos, Marrengula pediu ao juiz Efigênio Banze para a repor a ordem no tribunal. “Meritíssimo, acho que aqui há um ponto de ordem. Eu não admito que o réu se refira a mim na qualidade de senhora. O réu pode não saber mas estou aqui a representar a exercer uma função de Estado. Há formas de tratamento. Pode-se dirigir a mim como digna magistrada”.

Mesmo do “puxão de orelhas” do meritíssimo Banze, Armando Ndambi Guebuza voltou a desrespeitar o Ministério Público quando foi instado a responder a pergunta sobre os vinhos enviados por Jean Boustani para a presidência da República.

“Não quero repisar nesse assunto. Vamos ligar para Jean Boustani para a senhora ficar esclarecida sobre o assunto do vinho. A senhora quer vinho? ”, questionou o réu para depois levar uma reprimenda do juiz: “Senhor Armando, não volte a fazer isso. Respeite a doutora Sheila”.

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