Magnus de Monserrate: uma pintura que nos seduz, estimula e apraz

CULTURA DESTAQUE

A propósito (ou a despropósito) da pintura de Mestre Magnus de Monserrate, Surrealista por excelência, ocorre-me a célebre frase de Hierronymus Bosch (1450-1516) — quanto a nós sem dúvida o percursor do Surrealismo — «omne ignotum pro magnifico» — numa clara alusão ao Fascínio que nos provoca o que é desconhecido. Uma atracção que se repercute na imaginação. Pretendo com isto dizer que a sua Obra reflecte a expressão material e visível da nossa imaginação. Isto é, Magnus de Monserrate consegue transpôr para a Tela um Universo Onírico de seres incongruentes que, paradoxalmente, partilham ora uma atmosfera nostálgica, ora uma atmosfera por vezes agressiva com referências aos Oceanos, às Pirâmides, ao Exótico.

É nesta atmosfera que reside o facto mais significativo da evolução da sua pintura, aliada ainda ao facto de uma depuração formal e compositiva em relação à exposição individual que realizou no Convento do Beato, em Lisboa, no ano de 1994. Subtilmente, as cores tornam-se mais lúcidas, menos angustiantes, conferindo a cada Quadro um maior equilíbrio, realçando cada vez mais o Universo Sonhador do seu subconsciente do género da pintura que executa. Excelente composição que mantêm o mesmo rigor e sinceridade que lhe reconhecemos, sem contudo abandonar uma linguagem que nos remete para a Simbologia de Bosch e para o Surrealismo propriamente dito que assume nos seus trabalhos. Uma pintura que nos seduz, estimula e apraz. Porque ao seduzir, nos atrai; ao estimular, nos catapulta para o primeiro plano das Obras e, nos apraz contemplar, ou melhor, meditar sobre um Mundo Imaginário e Insubmisso feito à nossa semelhança e à revelia do Real e Prepotente. Afinal, Bosch tinha razão. O Desconhecido é Magnífico.

Magnus de Monserrate nasceu em Sá Bandeira (Angola), no dia 4 de Outubro de 1953 e reside há alguns anos em Paços de Arcos, onde mantém Ateliê. Acompanhamos o seu percurso artístico há cerca de três Décadas e podemos assegurar que é riquíssimo. Encontra-se representado em inúmeras Colecções Institucionais e Privadas, designadamente, em Museus Nacionais e Internacionais, com particular destaque para países como Portugal, Espanha, Itália, Brasil e EUA, além de figurar em diversos Dicionários e Antologias de Arte. A sua Obra encontra-se cotada no Mercado Leiloeiro e Galerias de Arte Portuguesas, entre os valores que oscilam os 750 e 35 Mil Euros, para Quadros em Pequeno, Médio e Grande Formato. Um Artista cuja Obra importa conhecer, divulgar e Coleccionar.

Afonso Almeida Brandão

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