Defesa junta extracto da conta para provar que Ndambi não recebeu USD 14 milhões tal como acusa o Ministério Público

DESTAQUE POLÍTICA

Ao contrário de Cipriano Mutota e Teófilo Nhanguleme, réus que assumiram o seu envolvimento no escândalo das dívidas ocultas, Armando Ndambi Guebuza negou todas as acusações, tendo declarado em tribunal que a sua prisão é parte de uma perseguição política que a sua família tem sido alvo nos últimos anos.  Nesta terça – feira, a defesa de Ndambi foi autorizada pelo juiz Efigénio Baptista a juntar aos autos um extracto emitido pelo Abu Dhabi Comercial Bank para provar que o filho do antigo chefe de Estado não recebeu nenhum valor na sua conta e não há registo de nenhum movimento desde que a mesma foi aberta.

Depois de ter sido interrogado, na segunda-feira, 30 de Agosto, pelo juiz da causa e pelo Ministério público, na terça – feira, 31 de Agosto, Armando Ndambi Guebuza, voltou a 6ª Sessão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para responder as perguntas da Ordem dos Advogados, assistente no processo, e dos advogados de defesa.

Tal como aconteceu na sua primeira audição, o réu voltou a negar o seu envolvimento no calote das dívidas ocultas, tendo igualmente vincado que a sua ligação com o franco albanês Jean Boustani é apenas de negócios.

Quando todo mundo esperava que o filho do antigo Presidente da República estivesse derrotado devido a sua postura pouco comum no tribunal de negar tudo, implantar dúvidas sobre vários assuntos e fingir lapsos de memória, veio o grande golpe da defesa.

Após as habituais questões que visam desmontar alguns crimes, a defesa requereu a junção aos actos de um extracto bancário da conta do seu cliente no Abu Dhabi Comercial Bank e o juiz deferiu depois de, inclusive, apreciar a referida prova. O extracto agora junto aos autos deixa claro que não foi encontrada nenhuma transacção na conta (no transations found), ou seja, que o réu não recebeu  os USD 14 milhões da Privinvest, tal como consta da acusação do Ministério Público. Desde a primeira hora a acusação mostrou-se inconsistente em relação a alguns elementos de prova, grande parte dos quais baseados em depoimentos de co-réus e e.mails interceptados.

Igualmente, a defesa de Ndambi Guebuza conseguiu convencer ao tribunal para que o franco-libanês Jean Boustani seja ouvido por vídeo-conferência. Boustani poderá ser uma dor de cabeça para a estratégia montada à medida de Filipe Nyusi, pois em sede de um outro processo tem estado a acusar o estadista moçambicano de ter recebido subornos na ordem de um milhão de dólares para a sua campanha de 2014.

Antes do julgamento, o juiz Efigénio Baptista havia indeferido que Jean Boustani fosse constituído como declarante, na mesma lista em que a defesa de António Carlos de Rosário solicitava que Filipe Nyusi fosse testemunhar na tenda da BO.

Refira-se que, em 2020, a Procuradoria-Geral da República emitiu mandados de captura internacional contra três ex-funcionários do Credit Suisse e contra Jean Boustani, razão pela qual era quase improvável que o mesmo fosse ouvido fisicamente, tal como chegou a solicitar a Ordem dos Advogados.