ISABEL SILVA: Uma Pintura Executada Com Agilidade Rica e Preciosa da Sua Linguagem

CULTURA SOCIEDADE

Afonso Almeida Brandão

Não é por ter querido ignorá-la que Isabel Silva sobreviveu ao pensamento de uma Pintura de Expressão Naturalista comum que codifica a maior parte das aproximações da Arte Actual de Raiz Figurativa (estrutural na sua forma e desenvolvimento, harmoniosa nos seus efeitos de cor e transparência e de desenho expressivo em termos de Tema e Beleza), e condena as demais propostas pictóricas à aridez dos seus equívocos desertos, onde a Criação sucumbe, na maior parte das vezes, ao crivo de uma ética fraudulenta, que em nada corresponde à Realidade. Falamos, naturalmente, do Expressionismo Abstracto e Gestual que poucos (ou quase nenhuns entendem…)

Somos de opinião que as correntes ditas Modernas não passam de sofismas e de constância, e que o (?) rigor de um questionamento escrupuloso conduz ao espaço que tudo significa menos o criativo, onde a Mancha, o Traço e o Volume das Obras executadas mergulham, enfim, na direcção de uma renovação inexistente de uma manifestação do OUTRO no nosso quotidiano já de si abafado por hábitos, mentira e códigos enganadores…

Talvez estas considerações aconteçam com o pintor, cujos jogos, noivas modernas de celibatários (?) contemporâneos, não são mais que o insolente durante uma Obra pictural (portanto de natureza pseudo- reacionária?) à poesia lírica no meio do qual o Mundo reina filtrado pelo olhar lúdico de uma Alma luminosa — que é o que acontece com as correntes da pintura Clássica, Naturalista e Impressionista onde se situa a Artista Isabel Silva, além de outros Grandes Mestres da 1ª e 2ª Metade dos dos Sécs. XVIII, XIX e XX). Desenhadora e Colorista de exímio traço, Isabel Silva inscreve o seu Universo no espaço da Natureza que engloba os mais diversos temas — tendo como patrono — as Paisagens de Campo, as Marinhas, os Monumentos Públicos, as Feiras e Romarias, o Casario de Aldeia ou Urbano e também a Viagem e o Sonho. Certamente quanto à viagem, podemos afirmar a sua filiação à alma portuguesa, aquela dos Descobridores intrépidos da Idade Média, aos quais o Ocidente deve uma parte do inventário do Planeta.

Isabel Silva é daquelas pintoras que joga com as cores, assim como um equilibrista cujo regozijo só se reconhece com a aproximação do Vazio. Ela gosta do arrepio através do qual reconhece a sua existência, e nos faz experimentar o nosso. O rigor de Isabel Silva mantém-se no compromisso de não fugir da Vida e de aceitar a sua tendência Figurativa, como quem regista o instante belo que captou para a Tela dum Pôr-do-Sol ou simplesmente nos Pescadores que trazem para terra a faina da sua pescaria, após uma noite passada em Mar-Alto, assim como o Alquimista recolhe o rosado do Amanhecer, no Crisol da terrível gratuidade da existência, quer dizer da sua generosidade e vã oferenda. Em suma: a sua pintura é como um começo de todos os dias, que se repete num rebuscar constante no fundo de si mesma e que são nada mais, nada menos do que as coisas reais e vivas que a pintora pinta, como traços de sombras ou de luz — e de iluminações também —, afinal de contas tudo aquilo a que o Artista verdadeiramente se entrega e anda conquistando ao longo do seu percurso em termos de trajectória e oficinal.

Maria Isabel Marques da Silva, de seu nome completo, nasceu em Malange (Angola), no dia 10 de Abril de 1970, embora tenha adquirido a nacionalidade portuguesa aquando do seu regresso para Portugal, em 1975, com seus pais. Iniciou a sua actividade artística em 1986 e foi Discípula do saudoso Mestre Carlos Alberto Santos (1933-2016), ao longo de 17 anos. É riquíssimo o seu «curriculum». Isabel Silva encontra-se ainda representada em inúmeras Colecções Privadas e Institucionais, quer no nosso País, em Angola, quer na Europa, nos E.U.A. e no Japão. Está citada em diversos Dicionários de Arte e em Antologias, além de estar referenciado no Google. A cotação média da sua Obra oscila entre os 750 e os 35 Mil Euros (para Pequeno, Médio e Grande Formato), além de ter estado ligada a importantes Galerias de Arte, designadamente, «A Capitel» (Leiria), «EUROARTE» (Lisboa) e «Galeria Edmundo Cruz» em Colares/Sintra. Um nome que importa divulgar, incentivar e conhecer.