Abel Faife, Carlos Cardoso e a «dívida oculta»

OPINIÃO

Por: Afonso Almeida Brandão

«Termos» dos tempos que passam e dos «crimes» que estão por resolver…)

Vivemos hoje sob o signo do “alegado”, termo presente na mais simples notícia relacionada com um crime e cuja doentia utilização chegou já aos Editores dos jornais da nossa praça e também aos “pivôs” de Telejornal que temos por cá. A mania é tão poderosa que o adjectivo — “alegado” como sinónimo de “presumível” ou de “suposto” — já é aplicado com o substantivo “suspeito”, ou seja, alguém alvo de suspeita ou apontado como autor de algo. É verdade, Leitor, fique atento e ouvirá falar, num qualquer Canal da nossa praça — ou em vários jornais em circulação no País —, de um “alegado suspeito”, uma infeliz criatura suspeita de… ser suspeita. Às vezes — muitas vezes! — estes termos escondem, por trás, outro termo moçambicano de que «uma mão lava a outra»…

Basta olharmos para o vergonhoso e escandaloso «Caso das Dívidas Ocultas» a ser julgado na BO, em Maputo, para ficarmos, minimamente, esclarecidos…Ou talvez não! Mas, adiante!

A razão da crónica de hoje não pretende falar mais neste “nojo” que tem estado “a agitar” — e “a minar” Maputo, o País e o nosso Povo, interna e externamente, pelo facto de envolver grandes “figurões” implicados num mega processo de corrupção, fasificação e roubo…

Mas se a Defesa — sagrada para um Jornalista Profissional — de presunção de inocência, ainda nos pode levar a tolerar tal cuidado, que dizer do alargamento da ignorância quando, perante um crime violento, se qualificam as pesoas assassinadas como “alegadas vítimas”?

Ter-se-ão assaltado e esfaqueado a si próprias? E enquanto se procura o autor do crime — ou dos corruptos, dos falsificadores e também dos ladrões — porque se lhe chamam “alegado autor”?

Entendamo-nos: quando a Polícia o procura, procura “o” autor do crime ou do roubo, porque o crime ou o roubo não são alegado, aconteceu ou vieram a acontecer. E só quando o(s) encontra(m) — encontrando alguém que julga(m) ter praticado o crime, ou a falsificação ou o roubo — ele(s) se designa(m) por “alegado(s) autor(es)”, passando depois, se for o caso, “a acusado(s) do(s) crime(s), das falsificações ou do(s) roubo(s)” até decisão final dos Tribunais.

E chegados aqui é oportuno perguntar (e questionar frontalmente a quem de direito) “em que pé” acabou por ficar o caso do crime “encomendado” e perpetuado barbaramente do malogrado (e saudoso!) Jornalista Moçambicano, ABEL FAIFE, por exemplo? Evidentemente que as Autoridades (ditas) Policiais e da Justiça deixaram por cair no esquecimento este caso em concreto, como tantos outros crimes, falsificações e roubos acabarão por cair — ocorridos que foram décadas atrás — e como o actual e grande Processo escandaloso do «Caso das Dívidas Ocultas» irá terminar sem os verdadeiros “Tubarões” serem condenados… e sairem todos “contentes” em liberdade…

E tudo isto — repetimos! — porque a “santa” Justiça, os Tribunais e a Polícia funcionam mal em Moçambique e a «calpa morre (quase) sempre solteira»…

Ou melhor — para recordar outro saudoso colega que foi o jornalista, Carlos Cardoso, crime atribuído ao filho do então Presidente da República, Joaquim Chissano — como tendo sido o seu mandante que, entretanto, faleceu. Carlos Cardoso dir-nos-ia, a propósito desta “marosca” — que «esta “cambada” estava “nas tintas” e“a marimbar” para tudo e para (alguns) “testas de ferro” poderosos, evitando-se, assim, que a Verdade e as origens dos factos fossem conhecidas…»

Inquestionável. Mais comentários para quê…?!

São, afinal de contas, casos mediáticos e vergonhosos como estes, que vêem ensombrando o nosso País, ao longo dos tempos — sem entrarmos, sequer, aqui e agora, nas circunstâncias trágicas e criminosas que ceifaram a vida do Presidente Samora Moisés Machel e de toda a sua Comitiva que o acompanhava a bordo do avião, ora abatido…

Até quando é que a Verdade vai permanecer silenciosa e oculta?

Será que à época, o Sr. Sérgio Vieira teria dito «a verdade e apenas e só a verdade», aqundo do seu interrogatório sobre o acidente aéreo?!…

Onde páram as testemunhas de todos aqueles que nunca chegaram a ser ouvidos e que podiam — patrioticamente! — prestar declaraçõeso e o seu contributo, para que fossem apuradas todas as consequentes responsabilidades e os seus autores morais severamente punidos?!