Gregório Leão “intima” Antônio Carlos de Rosário para explicar o destino dos 500 milhões USD

DESTAQUE POLÍTICA

De acordo com o relatório da Kroll, Moçambique não conseguiu esclarecer como foram gastos os 500 milhões (dos 850 milhões) alocados para a criação da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM). Nesta terça – feira, 28 de Setembro, o antigo Director – Geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), Gregório Leão declarou que os 500 milhões, dos 850 milhões, que foram alocados para a criação da EMATUM, foram usados para adquirir meios militares.

A soberania do Estado voltou a ser desculpa para ignorar as questões que foram feitas pelo juiz Efigênio Baptista e pelo Ministério Público. Na sessão que ainda decorre na Penitenciária de Máxima Segurança, Gregório Leão foi chamado a explicar as razões que levaram o SISE a criar um segundo projecto de protecção da Zona Econômica Exclusiva, uma vez que o Governo já havia gasto avultadas somas de dinheiro para criar a ProIndicus.

“No dia 12 Agosto criaram empresa alegando que tinha que fazer o mesmo trabalho da primeira (Proindicus), esta que tinha lanchas e aeronaves para fiscalizar toda costa… e até é uma empresa muito cara porque a criação da EMATUM custou 850 milhões de dólares, embora o Estado tinha 620 milhões para a criação da ProIndicus. Qual é a razão da criação desta empresa?”, questionou o juiz.

Na sua resposta, Leão foi parco nas palavras, tendo justificado que o SISE faz parte de Estado. “Tínhamos outras actividades operativas que não podemos falar aqui… Até parece que o SISE é uma ilha dentro do Estado, mas não é uma ilha. Faz parte deste Estado e tem atribuições”, respondeu

Em sede de julgamento, o antigo Director – Geral do SISE deixou escapar que os barcos adquiridos para a pesca de atum também seriam usados para os trabalhos da inteligência, tendo usado a situação do terrorismo em Cabo Delgado para exemplificar.

“Em Cabo Delgado, antes de se aplicar a força há um trabalho de inteligência que deve ser feito para identificar onde está o perigo. Os mesmos militares que vem para fazer face a situação, devem ter informação precisa. Os meios da Proindicus são de natureza militar”.

Segundo constam nos autos, dos 2.2 mil milhões de dólares das dívidas ocultas, cerca de 850 milhões de dólares foram destinados para a criação da EMATUM. Entretanto, apenas 350 milhões foram usados para o propósito inicial. Perante a insistência de Efigênio Baptista em saber o destino dos 500 milhões que, de acordo com o relatório da Kroll não foram esclarecidos, Gregório Leão avançou que foram usados para a compra de material militar.

“Os 500 milhões de dólares foram usados para os propósitos militares”, declarou o réu.

Entretanto, Efigênio Baptista lembrou ao réu que os militares não receberam nenhum meio adquirido com os 500 milhões.  Chamado a explicar as contradições registadas nas duas declarações, Leão passou a bola para o co – réu, Antônio Carlos de Rosário.

“O Antônio Carlos de Rosário é quem vai trazer esses todos detalhes e até documentados”, rematou.

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