Renamo defende diálogo com os terroristas e MDM quer explicações de Nyusi no seu envolvimento nas dividas ocultas

DESTAQUE POLÍTICA

Na aberta da IV Sessão Ordinária, a bancada parlamentar da Resistência Nacional de Moçambique defendeu que para se alcançar a paz definitiva, dourada e sustentável na província de Cabo Delgado o Governo deve pautar pelo diálogo com os grupos armados que semeiam luto e terror naquele ponto do país. Se por um lado, a Frelimo saudou a presença dos militares estrangeiro no teatro operacional norte, vincando que os insurgentes estão completamente neutralizados, por outro, o Movimento Democrático de Moçambique pede ao Presidente da República para explicar ao povo o que sabe sobre as dividas ocultas.

Para o chefe da bancada parlamentar da Renamo na Assembleia da República observa que os serviços de segurança de Estado devem servir para auscultar situações que podem perigar a sua segurança, pois, os amigos de hoje, podem ser inimigos de amanhã, entretanto segundo Magalhães não é o que está a acontecer em Moçambique.

“Os serviços secretos não servem para raptar, criar esquadrões de morte para roubar, perseguir, torturar, prender e assassinar a sua própria população. A SECRETA do Estado não pode ser misturada com política. Vejam só a vergonha que está a acontecer com a nossa Secreta! Está escancarada! Os segredos do Estado foram espargidos na tenda da B.O. e escorrem mundo afora. Isto equivale dizer que o Estado não existe mais e o culpado é o Governo sustentado por esta falsa maioria, resultante do roubo de votos”.

Falando da situação que se vive em alguns distritos de Cabo Delgado, Magalhães lembrou que o Governo só começou a olhar seriamente para a questão do terrorismo quando os terroristas escalaram Mocímboa da Praia.

“Mocímboa da Praia esteve um ano nas mãos dos terroristas e o governo não se preocupou e nem se incomodou, mas em menos de 24 horas, quando beliscaram os projectos de gás, no dia seguinte chegaram as forças estrangeiras e a soberania deixou de existir”, disse o chefe da bancada parlamentar do segundo maior partido da oposição para posteriormente defender a necessidade do diálogo com os grupos armados para o alcance definitiva apesar dos progressos das forças que se encontram no terreno.

“Se por um lado podemos celebrar o sucesso que tem sido conseguido pelas nossas Forças Armadas apoiadas pelas tropas regionais e ruandesas no combate à insurgência em algumas regiões de Cabo Delgado, por outro, apoiamos aqueles que aconselham na necessidade de se desencadear mecanismos de diálogo com os agressores visando alcançar uma paz duradoira e sustentável na região e no país como um todo. Esta é uma tarefa urgente que o Governo do dia não pode adiar por mais tempo ou mesmo dela se furtar”.

“A vitória contra os bandidos e terroristas é certa”

Por sua vez, a bancada parlamentar da Frelimo apontou o dedo ao partido da oposição que alegaram inconstitucionalidade no facto do Presidente da República ter solicitado auxilio estrangeiro sem antes consultar o parlamento.

“Contrariamente a algumas vozes da nossa política e da sociedade civil, insensíveis à dor e ao sofrimento do nosso povo, a bancada parlamentar da Frelimo saúda, encoraja e revê-se na decisão do Governo de Moçambique de acolher a vinda das tropas da SADC e do Ruanda, numa altura em que as ações dos terroristas estavam a recrudescer contra as populações indefesas”, declarou Sérgio Pantie

O chefe da bancada maioritária na Assembleia da República tem noção de que ainda não estão reunidas condições para se cantar vitória contra o terrorismo e pediu assistência humanitária para as vítimas de violência.

“Temos noção de que ainda não é o momento para cantar vitória, mas temos a certeza de que a vitória contra os bandidos e terroristas é certa. Juntemos aquilo que pudermos, quer individualmente, quer coletivamente, através das confissões religiosas e outras organizações. Juntos fazemos a diferença e somos mais fortes”.

“O Estado moçambicano está sendo capturado por uma teia de corrupção organizada”

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique entende que volvidos 29 anos de Acordo de Paz, persistem ainda obstáculos estruturantes na construção de uma verdadeira sociedade coesa, onde se respeita a forma de pensar diferente, e a abordagem política, económica e social dos problemas que apoquentam os moçambicanos.

Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar do MDM, defendeu despartidarizaçāo do Estado tem que ser real e efectiva, e chancelada por uma legislação específica.

“A Reconciliação Nacional continua sendo uma miragem, e a ausência de uma estratégia aglutinadora para o reencontro da grande família moçambicana, sem tabus e nem preconceitos, continua adiada. Entendemos, e reafirmamos, que o processo da democratização do país tem que ser permanente, abrangente e envolvente. A democratização tem que ser reforçada por um verdadeiro Estado de Direito assente numa verdadeira separação dos Poderes”.

No que ao julgamento das dívidas ocultas diz respeito, Simango defendeu que o Estado moçambicano está sendo capturado por uma teia de corrupção organizada e generalizada, tendo defendido que o Presidente da República deve explicar o seu envolvimento naquele que é considerado o maior escândalo de corrupção da história do país.

“Não restam dúvidas de que este caso seja a ínfima parte visível do ilícito enriquecimento de uma certa elite que administra, controla e gere o nosso Estado. Na senda do julgamento das dívidas ocultas, o Presidente da República tem a responsabilidade de explicar ao povo o que sabe sobre os contornos deste assunto. É preciso explicar até onde se situou o seu eventual envolvimento nesta secreta operação que endividou o país e o povo”.

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