A concorrência mora ao lado

OPINIÃO

Afonso Almeida Brandão

Quando falamos em concorrência, regra geral, referimo-nos na dimensão externa da organização, onde as opções dos líderes se enfrentam em pleno Mercado. Porém, tal como há o MercadoExterno, cada organização tem o seu próprio Mercado Interno. Aqui os seus concorrentes podem muito bem ter o seu quartel-general montado já no gabinete ao lado, congeminando nos mesmos corredores do que você, ignorando, percorre durante o dia.

O poder, o conhecimento, as regalias e a ascensão na estrutura organizacional são os recursos escassos que estão na génese das disputas entre os líderes do Mercado Interno. E você vai cruzar os braços a esta luta?

Se quer ganhar, terá não apenas de ser bom naquelas que são as suas atribuições específicas, bem como alargar o seu espaço de influência.

Os seus colegas, a sua equipa e os seus chefes terão de ver em si alguém que faz acontecer. Ou seja, terá de marcar pontos e publicitá-los junto do máximo de ouvidos.

Deixamos aqui — a título de aconselhamento — doze “dicas” para que possa bater a concorrência.

COOPERAR

Olhe à sua volta e descubra áreas da sua empresa que necessitem de uma melhor performance, que clamem por mudança. Mas atenção: o segredo está em cooperar com as pessoas responsáveis pela área onde os resultados não são tão famosos e não atropelá-lo com a sua intervenção.

Ganhe um parceiro, não queira ganhar um inimigo. Terá de ter autorização para se envolver.

EQUIPA

Depois de conquistar o responsável pela área que necessita de mudança, oferecendo o seu apoio, ajude na construção da equipa que se dedicará a esse projecto interno.

Não queira ser visto como o cavaleiro que tudo resolve. Seja antes o comandante que levou as tropas ao sucesso. Tem de revelar capacidade de trabalho em equipa e, sobretudo, gestão de equipas. Seja o timoneiro e não o pioneiro. Conquiste a equipa, os seus membros serão as testemunhas vivas das suas virtudes.

ACÇÃO

Faça acontecer. Assumiu, e bem, o desafio, agora os resultados têm de aparecer. É possível que não consiga atingir todos os objectivos a que se propôs. Mas não se preocupe, desde que tenhas evidências incontestáveis de que os processos se tornaram mais eficientes e que a intervenção tem um retorno evidente e positivo.

Mostre que a equipa tem potencial e que muito mais se pode fazer no Futuro, mantendo o rumo… e o Líder.

VALORIZAR 

Publicite os resultados. Este é o momento que está na base de toda a sua empreitada. Promover-se de forma a ofuscar a concorrência. É aqui que muitos falham após longas jornadas. Mas falham por um simples motivo, puxam os créditos para si. Valorize a especialidade do Grupo, as sinergias da Equipa, o emergir de excelentes ideias e sua implementação. A equipa será a sua voz, o seu estandarte, publicite por todos os canais possíveis os resultados do Colectivo. E essa é a realidade, o líder vive da forma como potencia as suas equipas, alcançando resultados de excepção. É isto que a concorrência terá de fazer melhor do que você dentro da organização.

“COACHING” PARA QUÊ?

Alguns tipos de conhecimentos e skills podem ser adquiridos pela leitura, observação ou audição. Mas outros apenas pela prática e experiência, pois necessitam da possibilidade de desempenhar e agir sobre pressão, a fim de aprender com os próprios erros e as experiências directas no trabalho. O coaching envolve um fluxo contínuo de instruções, comentários e sugestões entre coach e treinado, visando a aprendizagem contínua sustentada. Desta forma — e em nossa opinião — o coaching proporciona várias capacidades.

FLEXIBILIDADE

Aderir à mudança é essencial à sobrevivência das organizações, permitindo-lhes ganhar vantagens competitivas. Para tal, tem de haver flexibilidade e adaptalidade da força de trabalho.

CONVIVER

As pessoas devem ter capacidade para trabalhar em redes dentro e fora das suas organizações, responder às mudanças e assumir responsabilidades pessoais.

RELACIONAMENTOS

A capacidade de gerir relacionamentos laterais está-se a tornar um factor crítico na habilidade das pessoas em alcançar os seus objectivos, pelo que as competências ligadas às relações interpessoais são cada vez mais necessárias.

APRENDER

As organizações que sobrevivem são as que apostam na aprendizagem e renovação contínua, sendo as pessoas responsáveis pela gestão da sua aprendizagem em resposta às constantes mudanças nas necessidades organizacionais, criando as suas próprias oportunidades visando as suas capacidades e criatividade.

CARREIRA

A progressão de carreira consistia em promoções hierárquicas. Actualmente, é a contribuição para a valorização da organização que é evidenciada, pelo que as pessoas deverão ter a capacidade de desenvolver uma base de experiências e de rede de relacionamentos mais extensa, de forma a criar mais oportunidades de carreira.

VALOR

Sendo a valorização da organização cada vez mais importante, conforme referido no ponto anterior, as pessoas devem perseguir oportunidades visando ganhar valor, de forma e contribuir para o objectivo colectivo de assegurar vantagem competitiva e um desempenho excepcional.

MELHORAR

A rapidez da mudança impõe que as organizações abandonem as estruturas verticalizadas e se reconfigurem numa liderança emergente, em que os coachs assumem uma relação com as pessoas de acompanhamento e orientação do seu desenvolvimento no sentido de criar novos conhecimentos e melhorar os respectivos desempenhos.