Estados Unidos estudam mecanismo de apoiar África a estabelecer suas próprias fábricas de vacinas da Covid-19

SAÚDE SOCIEDADE
  • Moçambique poderá receber mais doses da vacina Johson & Johnson

Na última Quinta-feira, os Estados Unidos da América atingiram a fasquia das 200 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, doadas em todo o mundo, o que representa um marco importante rumo à ambiciosa meta de um bilião de vacinas colocadas à disposição, sobretudo dos países mais pobres do mundo. Em entrevista exclusiva ao Evidências, Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, assegurou, mesmo sem especificar datas, que o país poderá receber mais doses de vacina contra a Covid-19, mas mostrou-se preocupada com a crescente onda de desinformação em África, que, de certa forma, mina os esforços globais de combate à pandemia.

Os Estados Unidos da América já doaram mais de meio milhão de doses de vacina a Moçambique, no âmbito do mecanismo global COVAX, em coordenação com a UNICEF, tornando-se no maior doador bilateral. O primeiro lote chegou em Julho último com 302.400 vacinas da Johnson & Johnson e o segundo carregamento foi de 336.000 doses também da Johnson & Johnson, desembarcadas em Setembro.

Um dia depois de alcançar a fasquia de 200 milhões de vacinas distribuídas em todo o mundo, o Evidências teve a oportunidade de entrevistar Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que destacou os esforços em curso para a disponibilização dos imunizantes à escala global.

“Os Estados Unidos estão empenhados nesta luta global e estamos comemorando a disponibilização de mais de 200 milhões de doses de vacina em todo o mundo. É realmente um passo muito grande não só para nós como país, como também para todo o mundo, no sentido em que estamos nos esforçando e trabalhando conjuntamente para acabarmos com a pandemia”, declarou Kristina.

De acordo com a porta-voz do departamento de estado norte-americano, a meta dos EUA é doar mais de um bilião de doses e para Moçambique estão previstos outros carregamentos, contudo não avançou nenhuma previsão da data.

“Não consigo, neste momento, confirmar com precisão quando é que chegarão as novas doses para Moçambique, mas posso lhe garantir que os Estados Unidos vão apoiar mais vezes Moçambique com vacinas. Em Julho teve uma doação de mais de 300 mil doses e em Setembro fizemos uma outra doação em coordenação com a União África de quase 340 mil doses”, afiançou Kristina.

Esforços visando imunizar maior número da população e salvar vidas

África é o continente com menos população vacinada em todo o mundo, e até na primeira semana de Outubro apenas 4% da população estava vacinada, representando um grande desafio para a mobilidade global.

“O continente ainda está nesse processo de vacinar a sua população. Infelizmente, um pouco atrasado, mas nós como parceiros, no âmbito da ajuda humanitária, vamos continuar a nossa promessa de compartilhar as doses da vacina, mas ao mesmo tempo estamos a estudar como podemos investir para criar condições para que África seja capaz de não só receber doses, mas também fabricar a sua própria vacina, porque sabemos que as vacinas nunca serão suficientes”, destacou a porta-voz.

A fonte desafiou os líderes africanos, em particular de Moçambique, a continuarem a envidar esforços com vista à imunização de maior número da população para salvar vidas e criar bases para que novas vagas e futuras ameaças sejam facilmente vencidas.

“Nós como Estados Unidos, como parceiro, não só do continente africano, como também da comunidade lusófona, estamos empenhados em construir uma segurança melhor para a saúde global, por que sabemos que vamos enfrentar futuras ameaças e pandemias que só podem ser vencidas se estivermos unidos”, apelou.

Os pronunciamentos de Kristina Rosales surgem num contexto em que, para além do vírus, reina outra grande ameaça no combate à pandemia (as fake news), que contribuem para que uma parte significativa da população olhe com desconfiança para as medidas de luta contra a Covid-19, inclusive o processo de vacinação.

“Há muita desinformação e várias fontes que não estão confirmadas e que não tem uma base científica. É importante que as pessoas procurem se informar com fontes que sejam credíveis e verificadas não só pelos governos, como pela comunidade científica. As pessoas têm que verificar a proveniência das informações que recebem e confirmar a sua veracidade com as autoridades governamentais e não só”, aconselhou.