Soldados sul – africanos denunciam tratamento desumano em Cabo Delgado

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Recentemente, as Forças Especiais da África do Sul, que se encontra na província de Cabo Delgado para reforçar as Forças de Defesa e Segurança na luta contra os terroristas, denunciaram, através de uma carta enviada aos seus superiores em Pretória, maus tratos na base de Macomia, depois de terem sido obrigados a consumirem alimentos em alto estado de decomposição.

“Encaminhamos a reclamação, na esperança de que alguém da estrutura de topo das Forças de Defesa Nacional da Africa do Sul (SANDF) investigasse o assunto e tentasse resolvê-lo. Acabamos comendo carne e vegetais estragados, e quase todos os soldados estavam com diarreia. Quando levantamos a questão, os funcionários disseram que não estamos limpando nossos talheres. Muita carne podre teve que ser queimada porque a instalação não é adequada para ser usada como armazenamento de alimentos”, lê-se na carta tornada pública pelo diário sul – africano Daily News.

Ainda na carta enviada às autoridades sul – africanas, os militares denunciaram que só tem direito a três litros de água por dia e reclamam igualmente o atraso no pagamento dos subsídios.

“Somos mantidos e tratados como prisioneiros. Não podemos revelar a bagunça que eles estão criando aqui porque tememos ser vítimas. Se a corrupção pode fazer um líder escravizar seu próprio povo dessa forma, então temos que ter muito medo, porque logo eles vão acabar nos matando com esse tipo de comportamento. Pedimos a um psicólogo que nos visitasse aqui em Macomia para aconselhar os membros no terreno e ver as condições de vida das Forças Especiais que vão proteger e servir a África do Sul e o seu povo da invasão estrangeira”, denunciam os militares.

Reagindo a carta dos militares sul – africanos no teatro operacional norte, o porta – voz do Sindicato da Defesa da África do Sul, Jeff Dubazane, declarou que esta não é primeira vez que o sindicato foi informado de preocupações semelhantes.

“O desafio é que nossos associados façam denúncias formais ao sindicato para que possamos intervir. É difícil agir sobre essas coisas quando eles não estão falando diretamente conosco ”, disse ele.

Por sua vez, o presidente do Comitê Conjunto de Defesa, Cyril Xaba, garantiu que vai ser levada a cabo uma investigação para se apurar a veracidade da carta enviada pelos militares que se encontram na província de Cabo Delgado.

“Nossa responsabilidade de supervisão deste comitê de portfólio se estende a todas as missões onde o SANDF (South African National Defence Force) é implantado. Se for necessário ir fisicamente até lá e fazer algumas inspeções, então o faremos porque queremos garantir que os militares tenham sucesso em suas missões dentro e fora do país ”.

A SAMIM (sigla inglesa da Missão da SADC em Moçambique), órgão que inclui militares da África de Sul, chegou em Cabo Delgado no dia 09 de agosto para combater actos de terrorismo e extremismo violento na Região Norte da Província de Cabo Delgado, com um mandato inicial até ao fim a 15 de outubro de 2021, agora extendido para Janeiro de 2022.

 

 

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