CMCM e FEMATRO chegam ao acordo para reajustar preço dos transportes na Cidade de Maputo

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A subida de preços de combustível veio ainda mais sufocar os moçambicanos que vinham se ressentido do elevado custo de vida desde a eclosão da pandemia da Covid-19. Recentemente, o ministro da Economia e Finanças, Adraino Maleiane, prometeu retomar os subsídios aos transportadores como medida para evitar o agravamento dos preços. Entretanto, na quarta-feira, 17 de Novembro, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo e Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) tornaram público que já chegaram ao consenso para que a tarifa de transporte público de passageiros fosse reajustada dois meticais para distancias até 10 quilômetros e três meticais a partir de 10 quilômetros.

Nas reuniões de auscultação pública sobre o processo de revisão da tarifa de serviços de transporte de passageiros na Zona Metropolitana de Maputo, o Conselho Municipal de Maputo adiantou que, depois de longas negociações, chegou ao entendimento com os transportadores para que a tarifa de transportes fosse ajustada em dois meticais nas curtas distancias e três meticais nas viagens que superam os 10 quilômetros.

De acordo com José James Nichols, vereador de Mobilidade, Transportes de Transito do Município de Maputo, os transportadores levaram para a mesa das negociações uma proposta de agravamento na ordem dos 15 meticais, ou seja, as viagens até 10 km custariam 15 meticais e apartar de 10 km 15 meticais. Contudo, depois de longas conversações as suas partes decidiram que o transporte público de passageiros sofreria um agravamento entre dois e três meticais.

“Os operadores tinham a expectativa de que o aumento fosse na ordem dos 5 meticais, no entanto, das análises feitas, concluímos que poderíamos fazer o agravamento de forma gradual, a partir de uma fórmula que iremos definir, com indicadores próprios, daquilo que é o crescimento que queremos, em função das condições de vida dos munícipes, para que a tarifa não só seja sustentável, assim como tenha justiça na sua aplicação”, disse Nichols para depois explicar os contornos dos novos preços.

“O Governo analisou a situação e considerou que neste momento se pode actualizar a tarifa em dois e três meticais. Até 10 quilômetros os passageiros vão pagar 12 meticais em vez dos actuais 10. Para as longas distancias passa-se de 12 para 15 meticais. No caso do município de Maputo quem sai da Baixa para Xipamanine vai pagar 12 meticais. Por sua vez, quem sai da Baixa para Zimpeto pagará 15 meticais”.

O Conselho Municipal da Cidade conseguiu convencer os transportadores a aceitar a sua contraposta, porém para que a nova tarifa entre em vigor na capital moçambicana ainda aguarda pela aprovação da Assembleia Municipal.

“Depois desta auscultação, tendo em conta a responsabilidade que a assembleia municipal de Maputo tem de aprovar tarifas, vamos preparar todo o processo para remeter a Assembleia para respectiva análise e resolução a respeito. Este processo deve acontecer até o final deste mês”, explicou a fonte.

Se por um lado, o responsável pelo pelouro de Mobilidade, Transporte e Trânsito na capital moçambicana espera que a nova tarifa entre em vigor em Janeiro de 2022. Por outro, apelou aos munícipes ao uso de bilhete electrônicos com vista a combater o encurtamento de rotas.

A notícia da subida dos preços dos combustíveis não foi bem recebida no seio dos transportes que a muito ansiavam pelo reajustamento do preço desse serviço. Na qualidade de representante da Federação Moçambicana dos Transportadores, José Massango, saudou a decisão que saiu das negociações que os transportadores tiveram com o Governo, defendendo que actual tarifa tornou-se insuportável para a classe.

“O preço do combustível está a sufocar sobremaneira os transportadores, aumentou os preços dos pneus, lubrificantes e demais peças para as nossas viaturas, o preço da licença para transporte de passageiro passou de 3 mil para 5 mil, a condição das estradas não ficou de fora, elas aceleram as recorrentes avarias das nossas avarias, sem pôr de lado a pandemia da covid-19, que afectou grandemente o nosso negócio”.

“O reajuste das tarifas de transporte em Maputo é um Tabu. O processo é lento, levando vários anos, no entanto, os custos de produção, mensalmente sobem, mas há 5 anos que a nossa tarifa não sofre ajustes”

Reajuste do preço de transporte divide munícipes

Já é um dado adquirido de que o preço será ajustado nos próximos dias. A subida do preço do transporte público de passageiros dividiu os munícipes. Alguns esperam que com a entrada em vigor da nova tarifa melhore o serviço na capital moçambicana, mas outros consideram que a cada ano que passa o Governo tende em sufocar os moçambicanos.

“Quem nos garante que com a subida dos preços dos transportes serão resolvidos os problemas de sempre? Não acredito que esta medida vai minimizar o sofrimento do povo. Ficamos longas horas nas paragens e passamos por humilhações com o nosso dinheiro. Os semi – colectivos nos submetem a entrevistas e os transportes públicos andam sempre abarrotados nesta época da pandemia. Pedimos aquém é de direito para agir para melhorar a vida dos moçambicanos e deixar de aparecer quando estamos nas vésperas das eleições”, disse Telma Muholove.

Para Manuel Constantino, viver em Moçambique tornou-se um exercício de sete cabeça, tendo acusado o Governo pela situação em que se encontra mergulhado o país.

“Em Moçambique tudo está a subir a velocidade da luz, mas não acontece a mesma coisa quando se trata dos salários. Eles sabem que dependemos do transporte para ir trabalhar e por mais que aumentem não temos onde reclamar. Podíamos até protestar, mas no nosso país não se autorizam manifestações. Não está fácil viver em Moçambique, não sei como vamos sobrevier com este elevado custo de vida”, lamentou Samuel Constantino.

Por seu turno, Armando Langa não se opõe ao novo preço do transporte público de passageiros, mas exige esta medida seja o virar da página no que respeita a qualidade dos serviços prestados pelos transportadores.

“O Presidente da República auto intitula-se empregado do povo, mas os seus patrões continuam a sofrer. Podemos estar contra a nova tarifa dos transportes, mas não estamos na posição de negar, uma vez que eles já decidiram. Só espero que este agravamento venha solucionar os crônicos problemas dos transportes de transporte em Moçambique”.

Importa referir que Refira-se a tarifa de transporte de passageiros foi ajustada pela última vez no último trimestre de 2016.

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