Sócios do Desporto exigem demissão da direcção liderada por Paulo Ratilal

DESPORTO DESTAQUE

Cerca de meia centena de sócios do Grupo Desportivo de Maputo manifestaram-se, nesta quarta-feira, 24 de Novembro, exigindo a demissão em bloco da direcção liderada por Paulo Ratilal. Os sócios acusam a actual direcção de não honrar com os compromissos com atletas, treinadores e funcionários dos clubes, uma vez que estes estão a sensivelmente oito meses sem ver a cor do dinheiro. Como forma de pressionar a direcção, a Raça Alvinegra comprou novos cadeados e trancou as portas da sede do clube.

A equipa principal que terminou o Moçambola na última posição, é o reflexo da crise que se instalou no Desportivo de Maputo, clube que em Maio do ano corrente completou 100 anos. Na ausência dos salários, os jogadores e equipa dependiam da benevolência dos adeptos para sobreviver.

Para se inteirar do que se passava no clube, os sócios enviaram seis cartas pedindo um encontro com a direcção do emblema alvinegro, mas debalde nenhuma das cartas foi respondida.

“Está a haver um rompimento entre a direcção, atletas e treinadores. A direcção que existe não passa de um figurino. Na verdade o Desportivo não tem direcção, as evidencias ilustram. Em Agosto fizemos uma carta a pedir um encontro para saber do quotidiano do clube, mas não tivemos a resposta. Na insistência enviamos a segunda carta, voltaram a fazer ouvidos de mercador. Fizemos outras cartas e simplesmente não responderam. Hoje estamos aqui para pedir socorro porque o nosso clube está a ir abaixo”, disse um adepto que se identificou pelo nome de Sócio 2667

O Sócio 2667 acusa, por outro lado, o actual presidente daquele histórico emblema do desporto moçambicano de liderar o clube a distância, tendo adiantado que decidiram trancar as portas da sede do clube para pressionar a direcção

“Os jogadores não conhecem o presidente do clube. A direcção nunca sentou conosco para mostrar qual é o plano que tem o clube. Queremos uma assembleia geral lavar a roupa suja, pedimos encontro com o presidente, mas ele está sempre a viajar não pisa aqui no clube. Mudamos os cadeados da sede para a direcção sentir que nós existimos, caminhamos a passos largos da quadra festiva e temos trabalhadores aqui no clube que não sabem o que vão comer”.

“O Desportivo não vai morrer”

Por sua vez, Luísa Fumo, também sócia do clube alvinegro, tornou público que eram os sócios quem suportavam algumas despesas da equipa durante o Moçambola que consagrou a Associação Black Bulls como campeã nacional.

“Estamos a exigir os nossos direitos porque estamos a ver que o Desportivo está a desaparecer. São 100 anos sem nada. Primeiro perdemos o campo e depois chegou o novo presidente. Os jogadores não têm salário e muito menos água. Tivemos que contribuir para comprar sumo para os atletas. Uma das vezes o motorista não tinha como transportar os jogadores porque não tinha dois mil meticais para comprar combustível e tivemos que contribuir para comprar o combustível”.

“Tínhamos jogadores na vila olímpica que não tinham comida e energia, tivemos que contribuir para comprar comida e energia. Criamos um grupo de quatro pessoas e fizemos uma carta para falar com o presidente, mas o presidente não respondeu. Depois de várias cartas, o secretario – geral me ligou a dizer que podia nos receber, mas disse que queria reunião com o presidente e ele disse que o presidente estava de viagem. Achamos que isso um desprezo porque fazem reuniões fora das instalações do clube, enquanto temos instalações para isso”.

Triste com a situação em que se encontra o emblema que num passado recente era o viveiro do futebol moçambicano, Fumo acusa a direcção liderada por Paulo Ratilal de querer acabar com a modalidades das massas no Desportivo de Maputo.

“Sofremos para devolver o Desportivo ao convívio dos grandes do futebol nacional. Eles ficaram felizes porque o clube vai para a segunda divisão. Eles querem matar o futebol no clube. Sou sócia do clube mas não sei o que temos de patrimônio. 100 anos é uma vida, formou-se muito jogadores no clube. Mexer e Zainadine foram formados aqui, mas hoje não temos escola de formação. Exigimos que a direcção se demita em bloco, mas acreditem o Desportivo não vai morrer”

 

 

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