Tentativa de aumento do preço da carne bovina agita clientes no Matadouro de Maputo

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Nas primeiras horas desta quarta-feira, 22 de Dezembro, a carne bovina era comercializada a 215 meticais por quilograma no Matadouro de Maputo. Entretanto, do nada, segundo alguns cidadãos, houve uma tentativa de agravar o preço dos actuais 215 para 270 meticais, o que, de certa forma, deixou alguns cidadãos enfurecidos com a atitude daquela instituição que se dedica ao abate e venda de carne bovina.

Numa altura em que se caminha a passos largos da quadra festiva, muitas são as pessoas que se deslocam ao Matadouro de Maputo com objectivo de comprar a carne bovina, abrindo espaço para a especulação de preços. Nesta quarta-feira (22), nas primeiras horas, segundo alguns cidadãos que se fizeram àquele estabelecimento de abate para posterior venda, a carne era comercializada a 215 meticais por quilograma, mas por volta das 10 horas circulou uma informação dando conta da alteração do preço para 270 meticais.

“Foi uma decisão estranha. A minha irmã comprou carne a 215 meticais o quilograma, mas quando cheguei o preço já não era o mesmo. Achamos que aquilo era um roubo e nos insurgimos. Tiveram que parar as vendas por alguns minutos porque quase todos os clientes, excepto os que têm talhos e restaurantes, queriam saber o que na verdade motivou a mudança de preços”, declarou Joana Manganhela, para depois acrescentar que o matadouro queria usar a quadra festiva como pretexto para especular os preços.

“Entendemos que nesta época festiva regista-se subida de preços de quase todos os produtos, mas ninguém de nós esperava que numa fracção de segundos aumentassem 55 meticais no preço da carne. Queriam aproveitar a quadra festiva para extorquir o povo, mas felizmente não chegou a se concretizar”.

Numa altura em que o país regista uma curva ascendente de novas infecções e óbitos, o posto de venda do matadouro recebeu uma multidão de pessoas que devido à luta para comprar a carne bovina pontapeou as medidas de prevenção contra Covid-19.

Jorge Magaia era uma das pessoas que se encontrava na fila para a compra da carne e posterior venda no mercado informal. Ao Evidências, Magaia confidenciou que a ideia de agravar o preço foi travada pela directora daquela instituição.

“Já tínhamos sido informados sobre o agravamento do preço da carne, mas ninguém mostrou disponibilidade para comprar o quilograma a 270 meticais. Reclamamos, e uma das funcionárias do balcão de venda viu-se obrigada a ir comunicar o que se estava a passar à direcção do Matadouro. No regresso, disse que o preço continuava o mesmo e que não passava de um mal entendido”, declarou Magaia.

Por outro lado, Magaia reclamou da quantidade que é disponibilizada para os que pretendem revender nos diversos mercados espalhados pela cidade e província de Maputo.

“Decidiram que só podiam vender cinco quilogramas por cada pessoa, mas isso acaba nos prejudicando, porque estamos numa época em que há maior procura por este produto. Gostaríamos que tomassem a mesma decisão com as pessoas que vem comprar para revender nos talhos. O que estão a fazer torna o nosso negócio insustentável”.

Direcção do Matadouro nega aumento e fala de desinformação

Reagindo ao suposto agravamento do preço por quilograma de carne bovina em 55 minutos, a direcção do Matadouro da Cidade de Maputo declarou que em nenhum momento foi ajustado o preço naquela unidade.

“O preço da carne bovina continua o mesmo, em nenhum momento houve tentativa de agravamento do mesmo. Esta informação não corresponde à verdade. Não há motivos para aumentar o preço da carne nesta quadra festiva. Tanto o preço do abate e da carne continuam os mesmos. Esta informação foi veiculada por pessoas que gostam de criar agitação”, disse a fonte.

Sobre as quantidades que são vendidas aos clientes que querem consumir e aos que pretendem revender nos mercados informais, a representante do Matadouro, que preferiu não se identificar, avançou que esta medida visa que todos tenham oportunidade de adquirir o produto para as festas que já estão à espreita”.

“Há pessoas que saem dos mercados para comprar grandes quantidades com intuito de revender e há outras que compram com o objectivo de consumir. Para haver equilíbrio, preferimos vender cinco quilogramas por cada pessoa, mas, mesmo com esta medida, há pessoas que trazem mais de cinco pessoas da família para conseguir a maior quantidade. Aos proprietários de talhos e restaurantes damos maior quantidade porque eles têm maior capacidade para conservar a carne.

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