Novas portagens podem agravar o preço dos produtos – alerta a FEMATRO

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A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) tornou público que os transportadores públicos e os usuários frequentes terão redução na tarifa a pagar nas novas portagens. Os transportadores de carga, por sua vez, não serão abrangidos. De acordo com a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários (FEMATRO), a falta de desconto na tarifa para os transportadores de cargas poderá motivar o agravamento do preço dos produtos.

Recentemente, a Rede Viária de Moçambique avançou que as portagens instaladas ao longo da Estrada Circular de Maputo, nomeadamente, Cumbeza, Costa do Sol, Matola – Gare e Zintava começam a operar no dia 01 de Fevereiro. De acordo com a REVIMO, as viaturas de classe um vão pagar 40 meticais, classe dois 140 meticais, classe três 380 meticais e classe quatro 580 meticais.

As tarifas tornadas públicas criaram uma onda revolta no seio dos moçambicanos e a Rede Viária de Moçambique avançou com descontos para os transportes públicos de passageiros e para os usuários frequentes, tendo deixado de lado os transportadores de carga.

Segundo o vice – presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários (FEMATRO), Baptista Macuvele, o preço aplicado nas portagens poderá ter influência no preço dos produtos transportados.

“A taxa de portagem será acrescida ao frete do aluguer do carro. O cenário, que vai acontecer depois do início do uso das portagens, é o encarecer da vida dos nossos irmãos, incluindo a minha. Por exemplo, se eu comprava o sal a 10 Meticais, passarei a fazê-lo por 12 ou 13 por razões por todos nós conhecidas”, alertou Macuvele,

Por sua vez, Aurora Mussá, administradora executiva da Rede Viária de Moçambique, declarou que ainda não há luz verde para a redução da tarifa aplicada para os transportadores de carga.

 “Nós estamos a falar de desconto por nós acautelados, trabalhamos com as associações dos transportadores, para mitigar o aumento do preço dos transportes. Esses descontos, como fiz referência, visam aliviar o custo do transporte”, esclareceu.

Descontos agradam os transportadores de passageiros

Enquanto os transportadores de carga aguardam pela redução do preço das portagens instaladas ao longo da Estrada Circular de Maputo, os transportadores de passageiros mostraram-se agradados com a redução tornada pública pela REVIMO.

Castigo dos Santos, motorista da rota Zimpeto – Costa do Sol, pensava em mudar de rota, mas quando soube da redução do preço desistiu da ideia. “Estamos todos apreensivos porque com valor que cobravam não dava para trabalhar. Já estava a tratar os documentos para me mudar para a rota Ndlavela – Matola, mas com a redução do preço vou continuar por aqui. Está de parabéns o Governo por esta iniciativa e nós como transportadores agradecemos”, declarou Castigo.

José Ubisse era um homem feliz com a redução do preço das portagens, mas considera que os camionistas devem ser contemplados.

“A tarifa que será cobrada não terá impactos nas nossas actividades. Ficamos alarmados com a construção das portagens, mas no final de todo fomos acomodados. Estou deveras feliz com esta medida e gostaria que os transportadores de carga fossem contemplados, uma vez que 580 meticais não é pouco”.

Baltazar Fumo, por sua vez, considera a tarifa aplicada aos camionistas com um roubo em plena luz do dia. Fumo insta o Governo a rever a preço aplicado aos transportadores de carga.

“Não entendo os porquês desta redução não contemplar os camionistas. Essa tarifa terá impactos nas nossas actividades. Todos os dias usamos a estrada a circular, por isso, pedimos ao Governo para reduzir a tarifa tal como fez para os transportes públicos de passageiros. O Governo não pode apenas se preocupar é angariar, deve igualmente melhorar algumas vias que fazem parte da circular”, atirou Fumo.

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