Mil saudações, Vossas Excelências

OPINIÃO

Por Mantchiyani Samora Machel

Como podes ter feito isso?

Ser mãe e ser pai.

Ser guerra e ser paz.

Ter o mundo e não estar satisfeito. Até onde chega a ambição?

Decepção é uma palavra demasiada educada para te descrever.

Feio? Maligno? Falso? Artificial? E ainda assim humano.

Humanidade é o teu grito, mas a indignidade é o teu orgulho.

Bem, parabéns a si… Desfrute as mil Saudações

É o direito que mereces.

Mas a solidão é o melhor presente que posso dar a alguém como tu.

A nossa refeição aguarda por vossa excelência.

Ah! Janeiro do ano de 2022.

Assistimos às notícias de um longo Janeiro que tivemos. Os sistemas que têm vindo a explorar os povos do mundo, parecendo que estão em colapso ou instáveis … os ratos estão à solta.

 

Guerras, mortes, pilhagens (corrupção) são natureza humana? Não, não é natural, é um mecanismo de sobrevivência que utilizam para alimentar as famílias, amigos, etc. O chamado capital social das coisas, para muitos, é para ter um pouco de segurança para o dia seguinte, pois não possuem garantias do amanhã. Um mecanismo de sobrevivência que se baseia no medo da perda, que todos nós já experimentamos um dia.

 

Os perversos chantageiam-nos, ameaçando-nos com a perda das micro coisas. Eles usam a humanidade, os nossos erros, para nos transformar em robôs vegetais até nos sugarem para as macro coisas da vida. Porque para eles, como no famoso filme James de Bond, o mundo não é suficiente. Mas a maioria das pessoas do mundo são seres humanos nobres e honestos, que estão a ser comidos, vivos, por vampiros. A única coisa que as pessoas tinham (as suas famílias – se tiverem sorte) quase foi tomada por causa das ambições individuais.  

 

Covid foi uma lição para cada um de nós que aprendemos na perspectiva individual: quem é o nosso verdadeiro amigo, familiar, colega. Numa perspectiva nacional, regional e global, foi irônico, pelo menos para mim, que a nossa hora mais escura tenha sido a mais sóbria. Os chamados senhores do mundo precisam ponderar que vida querem viver, na solidão isolada e solitária ou uma utopia infantil, mas sóbria, com que sonhávamos quando crianças. Digo às crianças porque a pandemia da Covid-19 comprou dor sem precedentes a milhões de crianças em todo o mundo. Precisamos de alegrar a sua imaginação se quisermos construir um mundo melhor para todos.

 

Oração e acção para recuperar podem ser os próximos passos. Precisamos criar condições onde as pessoas se sintam em paz e em casa. Janeiro de 2022 viu até onde os Estados-nação descontrolados, que não têm instituições (ou instituições capturadas), podem ir pelo seu ego, acumulação de capital e guerra, mesmo que seja auto-aplicável.

 

O livro do  thriller de Tom Clancy – A Soma de Todos os Medos (recomendação –  leitura ou filme) foi quase uma realidade para algumas nações neste mês de Janeiro. No entanto, como todas as escrituras, os bons anónimos mantiveram a estabilidade. O respeito pela cooperação conquistará sempre a arrogância. Parece que recebemos as ondas de choque destes acontecimentos globais fora do mundo.

 

Precisamos isolar os chamados líderes dos mestres do universo; encher aqueles que se mantiveram como nossos guias nas horas mais negras da nossa nação  nos últimos anos. Estes moçambicanos sacrificaram as suas vidas, o seu sustento, a sua dignidade pela nossa bandeira moçambicana. Líderes que têm uma mentalidade de escravos só podem rezar para se libertarem dela, pois vendem as suas almas à servidão e aos seus ex-mestres coloniais, eles certamente obterão a compensação que dissimulam. Chamem-lhe a sua punição intervenção divina, deixem educadamente dizer aos ímpios para se demitirem, pois só eles conhecem os pecados que fizeram diplomaticamente, pois somos uma nação civilizada e faremos as coisas com elegância.

 

A solidão do isolamento é, por vezes, o melhor remédio para as mentes perturbadas. Vamos construir um futuro baseado na nossa experiência do passado para formar um novo país para o bem das nossas famílias, amigos, nação, vizinhos, e mundo. Mil Saudações, Vossas Excelências.

A Luta continua…