O sector da segurança nao cumpriu com os seus deveres – observa Ricardo Mondlane

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Aquando da contratação das dividas ocultas, Alberto Ricardo Mondlane desempenhava a função de ministro do Interior. Chamado nesta quinta – feira, 10 de Fevereiro, para contar a sua versão dos factos sobre a contratação das dívidas ocultas que lesaram o Estado moçambicano em mais 2,2 bilhões de dólares, Mondlane declarou que a criação da EMATUM e MAM nao foi discutido nas reuniões do Comando Operativo, órgão que era decidido pelo actual Presidente da República na qualidade de ministro da Defesa. Por outro lado, o antigo ministro do Interior considerou que o sector da segurança não cumpriu os seus deveres.

No 70º dia do Julgamento das dívidas ocultas, o antigo interior, Alberto Ricardo Mondlane ,quando questionado pelo Juiz Efigenio Baptista sobre a criação da EMATUM E MAM, declarou que o projecto que visava garantir garantir a protecção da Zona Económica Exclusiva foi António Carlos de Rosário e que  Sise ficou responsável pela atribuição do nome ProIndicus.

“Do que eu tomei conhecimento foi a ideia de criação de uma empresa privada, cujo objectivo principal era garantir a protecção da Zona Económica Exclusiva. A apresentação foi feita por António Carlos do Rosário. E quem trouxe o nome ProIndicus foi o SISE, até chegar a vez de irmos ao Comando Conjunto dar a ideia de criação dessa empresa que veio a ser criada. Quanto às outras, nunca ouvi falar sobre elas”, disse Mondlane para depois adiantar que o documento que assinou para desbloquear o financiamento do projecto nao continha números.

“Eu não sabia que estavam a ser criadas empresas da área de segurança, por isso não tenho provas de que houve encontros. Mas, o que fui sabendo depois sobre o assunto foi através da imprensa e a acompanhar o julgamento”.

A Ordem dos Advogados de Moçambique quis saber do antigo ministro do Interior o que teria falhado no processo da contratação das dívidas ocultas e o Alberto Ricardo Mondlane foi parco nas palavras, tendo declarado que o sector da segurança nao cumpriu com os seus deveres.

“Eu nunca imaginei que Jean Boustani pudesse chegar aqui e andar a distribuir dinheiro. Eu acho que o sector da segurança não cumpriu os seus deveres. Por isso, estamos aqui. Se a nossa segurança tivesse trabalhado como devia, isso não teria acontecido. A Privinvest entrou no nosso país por uma das partes mais importantes da segurança, o SISE”, disse Mondlane.

Na sua versão dos factos, quando foi interrogado pela OAM, Mondlane declarou que ficou surpreso com a celeridade do financiamento da Proindicus assim inflação dos seus valores. Por outro lado, o declarante tornou público que recebeu apenas uma viatura das mãos de Antônio Carlos de Rosário do suposto equipamento militar que seria adquirido pelo ProIndicus.

“Eu pensava que a ProIndicus ia procurar parceiros e que, de forma faseada, seria feito o financiamento. Do Rosário apareceu na minha casa com uma viatura para me oferecer. A minha falecida esposa quis saber para que fim era o carro. Eu disse que era do SISE e que eles é que sabiam da finalidade” declarou.

 

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