Trabalhadores da Açucareira de Xinavane incendeiam edifícios e viaturas em protesto contra a actuação da PRM

DESTAQUE SOCIEDADE

Reina um ambiente de cortar à faca entre os trabalhadores e a direcção da Açucareira de Xinavane. Os trabalhadores, que no dia 31 de Janeiro de ano em curso iniciaram uma greve pacífica que duraria 15 dias em reivindicação de salários e bónus, ficaram enfurecidos com os últimos acontecimentos, tendo na madrugada desta quarta-feira, 23 de Fevereiro, vandalizado carros e infraestruturas da empresa. Por outro lado, a casa do chefe do posto administrativo e o Posto Policial não escaparam da fúria dos manifestantes.

Desde o passado 31 de Janeiro que não se ouve rufar das máquinas na Açucareira de Xinavane, uma vez que os mais de três mil trabalhadores decidiram paralisar as actividades com vista a pressionar o patronato a melhorar as condições salariais e pagamento de bônus de produção referente aos anos 2020 e 2021.

Os ânimos ficaram exaltados nos últimos dias e a policia, por sua vez, deteve alguns trabalhadores considerados como líderes dos manifestantes. Com o intuito de exigir a libertação dos colegas, que segundo eles, foram detidos injustamente os funcionários da Açucareira de Xinavane se dirigiram ao posto policial, contudo descobriram os cidadãos ora detidos foram transferidos para a esquadra da Manhiça.

Enfurecidos com a ditadura que reina naquele distrito, os trabalhadores decidiram abandonar o pacifismo e avançar para uma manifestação tumultuosa, tendo vandalizado a casa do Chefe do Posto Administrativo e o Posto Policial.

Para além de viaturas e residências dos altos funcionários da Açucareira de Xinavane, os manifestantes vandalizaram e pilharam vários estabelecimentos comerciais

Segundo alguns funcionários ouvidos pelo Evidências, uma força da Unidade de Intervenção Rápida foi mobilizada para o terreno com vista a serenar os ânimos “Ontem chegou um contingente de oito policias da Unidade de Intervenção Rápida, lançaram gás lacrimogêneo em toda a vila incluindo escolas, e todos tiveram que paralisar as suas actividades”, revelou uma fonte, que preferiu falar em anonimato para depois comparar o cenário que se vive em Xinavane com o que  está   a acontecer em alguns distritos da província de Cabo Delgado.

“O que  estamos a viver em Xinavane equipara-se ao que está a acontecer em Cabo Delgado, visto que houve muita vandalização e pilhagem. Os centros comerciais da vila, instituições públicas e privadas e a rádio comunitária estão a fechar as portas, temendo pelos seus bens e perda de vidas. Até ao meio dia de hoje, a circulação na estrada que liga o distrito da Manhiça e o de Magude estava interrompida”.

Enquanto tentava escapar da fúria popular, ainda de acordo com a fonte, um dos responsáveis da Açucareira de Xinavane atropelou gravemente uma mulher e nao se dignou a prestar socorro.

Reagindo aos últimos acontecimentos na Açucareira de Xinavane, o partido Nova Democracia diz que o Governo usa a polícia para perpetuar a desgraça do povo, uma vez “prendem cidadãos que exigem a reposição de seus direitos instituídos por esse mesmo governo, e quando o povo reclama que o empresariado não está a cumprir a ordem, o Estado mobiliza-se para prender quem está a exigir que sua ordem seja cumprida”.

“Prende o trabalhador e abraça o prevaricador. É esse o Estado que temos? Que produz lei e é irresponsável para o cumprimento da mesma? Que Estado é este? O povo está cansado de tanto tolerar que roubem, defraudem, espezinhem e maltratem-nos na sua própria terra perante sindicatos”. (Neila Sitoe)

Leave a Reply

Your email address will not be published.