Apóstolo Matlombe mantém-se na liderança da igreja à revelia dos crentes

DESTAQUE SOCIEDADE
  • Já não é querido e por onde passa encontra manifestação de crentes
  • É acusado de adultério, curandeirismo e fraude financeira

Em Dezembro do ano passado foi despoletado um escândalo sexual envolvendo o líder máximo da Igreja Velha Apostólica de Moçambique, Jaime César Matlombe, que criou uma onda de indignação no seio dos membros da congregação que, de lá a esta parte, decidiram se manifestar para exigir o afastamento imediato do mesmo. No último domingo, 20 de Março, dezenas de crentes juntaram-se na paróquia de Sikwama, arredores do município da Matola, para, mais uma vez, pedir o afastamento do líder da congregação, que para além do escândalo sexual é acusado de curandeirismo e fraude financeira. O acto culminou em pancadaria depois dos crentes terem sido recebidos por um grupo de choque do líder da congregação, alguns dos quais munidos de objectos contundentes.

Evidências

Reina um ambiente de cortar à faca na Igreja Velha Apostólica de Moçambique desde que Jaime César Matlombe, que durante anos excomungou alguns pastores por terem cometido adultério, foi acusado de fornicar com a esposa de um membro superintendente da sua congregação, numa relação de amantes que durou mais de 10 anos.

No domingo, 20 de Março, dezenas de crentes daquela congregação religiosa decidiram se juntar em protesto contra o líder “adúltero”, que mesmo diante da pressão para resignar continua a orientar cultos e a recolher dízimo nas paróquias.

À chegada à igreja, os crentes encontram o portão trancado. E porque a união faz a força, o grupo conseguiu arrancar a porta e forçou entrada para o interior do recinto da paróquia de Sikwama, onde o Apóstolo Matlombe estava reunido com todos os seus superintendentes. A situação resvalou em confrontos físicos entre os crentes e o grupo de choque.

A animosidade foi tanta que um dos genros do Apóstolo, identificado pelo nome de Ngwenha, terá tentado esfaquear uma crente. A tragédia só foi evitada graças a intervenção de um dos crentes que conseguiu neutralizar o agressor com a sua navalha. Há muito que o Apóstolo daquela igreja é acusado de estar a usar meios do Estado para a sua protecção, ou seja, montou um exército composto por membros das Forças de Defesa e Segurança que tem estado a ameaçar quem se rebela contra a direcção agora contestada.

Como tal, um crente que se identificou pelo nome de Anacleto foi algemado, em meio aos tumultos, por supostos seguranças de Jaime e mostrou-se indignado com o rumo dos acontecimentos na Igreja Velha Apostólica de Moçambique.

“É muito vergonhoso o que está a acontecer na nossa igreja. Um pastor deve ser um bom exemplo para as suas ovelhas, mas não é o que está a acontecer aqui. O nosso líder rouba as esposas dos membros e ainda frequenta as palhotas dos curandeiros. Fui algemado por defender uma irmã que estava a ser ameaçada com recurso a uma faca. Pedimos o afastamento imediato de Jaime Matlombe, vamos continuar a protestar até que isso aconteça. A igreja não é dele, é dos membros”, sublinhou.

Anabela Magaia acusa Jaime Cesar Matlombe de se beneficiar dos dízimos dos membros para criar suas próprias empresas. “O apóstolo tem muitas casas e empresas, isso é preocupante. Mesmo com as intimidações e ameaças não vamos recuar. Matlombe cometeu adultério e deve ser afastado. Foi pela primeira vez que vi um pastor a tirar faca para ameaçar crentes. O lugar dos bandidos é na cadeia”, disse Margarida Pascoal, para depois acrescentar que estranha o silêncio da sede da Igreja na África do Sul.

“Este assunto já é do conhecimento da direção-geral da igreja, mas, desde Dezembro a esta parte, nunca se manifestaram. Mandamos várias cartas a pedir o afastamento imediato do apóstolo Jaime Matlombe e dos seus seguidores. A Igreja Velha Apostólica era uma das mais respeitadas em Moçambique, mas nos últimos meses só são escândalos atrás de escândalos”, sublinha.

Jaime Massinga, outro crente, declarou que as manifestações vão continuar até Matlombe abandonar a liderança da igreja.

“Estamos dispostos a ir até as últimas consequências para tirar a igreja da mão dos bandidos que usam o evangelho para enriquecer. As facas e as algemas não nos vão intimidar, vamos continuar a protestar até conseguirmos o nosso objectivo. Matlombe não é um homem de Deus, é corrupto que usa o nome de Deus para roubar”, sublinha.

Antes do fecho da presente edição, o Evidências tentou ouvir a direcção da Igreja Velha Apostólica de Moçambique sobre os últimos acontecimentos, mas novamente a mesma recusou-se a falar sobre o assunto.