Falso extensionista burla mais de 60 mil de camponeses com conivência do governo

SAÚDE SOCIEDADE
  • O mesmo governo já cobrou 20mt por família para construção da praça e o dinheiro desapareceu

Cerca de 250 agricultores residentes no posto administrativo de Gumbalaçai, no distrito de Maringue, na província de Sofala acusam o governo local de cumplicidade na burla de mais 60 mil meticais que foram arrecadados por um suposto técnico de extensão rural que se apresentou sem credencial, mas com conhecimento das autoridades daquele ponto do país, sob pretexto de compra de pesticida para combater pragas nos campos de produção, facto que nunca veio a acontecer. O caso é do conhecimento do governador da província, Lourenço Bulha que garantiu ao Evidências ter já sido criada uma comissão de inquérito para investigar o caso, incluindo um outro ligado a cobrança coerciva de 20 meticais por família, supostamente para a construção de uma praça que nunca foi materializada.

Jossias Sixpence – Beira

Segundo dados em nosso poder, o primeiro caso aconteceu em Outubro do ano passado, quando um cidadão, se dirigiu à população daquele posto administrativo e exigiu 250 meticais por família como condição para adquirir pesticidas, para combater uma praga que dizimava várias culturas agrícolas.

De acordo com o presidente do Comité de Gestão dos Recursos Naturais da localidade de Gumbalaçai, o suposto técnico, que se auto intitulava de extensionista, se dirigiu à comunidade apresentando um projecto de solução para o combate à praga.

A iniciativa foi acolhida pela comunidade e passadas duas semanas, o benfeitor solicitou que cada família contribuísse 250 meticais, para ter acesso ao produto e à assistência técnica.  Com efeitos, em menos de um mês o suposto extensionista conseguiu juntar pouco mais de 16 400 meticais.

Apercebendo-se de um movimento estranho, o técnico da agricultura que assiste o referido posto administrativo, solicitou a interrupção da cobrança para apurar a proveniência do referido extensionista, tendo em conta que o mesmo não possuía nenhuma documentação que o legitimava a fazer cobrança aos produtores.

ʺQuando já havia cobrado 16400 de alguns camponeses, o técnico Limpo da Agricultura mandou parrar a actividade daquele senhor, mas o chefe do posto, o senhor João Cachimbo mandou continuar a actividade mesmo sem possuir nenhum documento, alegando que o distrito tomou conhecimento”, disse.

E porque a palavra do chefe tem mais poder, o suposto extensionista continuou com as cobranças e ao cabo de dois meses já tinha conseguido juntar mais de 60 mil meticais a pouco mais de 240 pessoas.

ʺDepois de cobrar 62 mil meticais o falso técnico desapareceu e nada de pesticida e nem o dinheiro fomos devolvidos. Dois meses depois, foi encontrado e levado à polícia, mas depois foi solto sem nos dizer nada. O que nós queremos é o nosso dinheiro e já pedimos a administradora e o governador no último encontro que tivemosʺ, contou a fonte cimentando a desconfiança sobre o chefe do posto.

População desconfia também da cumplicidade da administradora

A população acusa também a administradora de cumplicidade na extorsão e inclusive chegou a se queixar dela ao governador daquela província. Até hoje ninguém sabe o paradeiro do suposto burlador.

ʺVimos que o chefe da localidade não fazia nada, fizemos carta para administradora, mas ela não veio, no dia que ela veio inaugurar uma bomba fomos falar do assunto, ela respondeu que não vinha tratar do assunto naquele dia. Inconformados, ligamos para governador e por sua vez o governador prometeu ligar para ela, e dias depois veio reunir connosco, apresentamos a questão e prometeu em duas semanas voltar com a resposta, mas até agora já passa um mês sem resposta.

Confrontada telefonicamente a administradora reconheceu a existência de cobranças e apelida de burlador a infractor e questionada sobre a sua suposta conivência, limitou a chamada alegando que se encontra fora do país e após o regresso no devido momento se pronunciaria.

Por seu turno, contactado pelo Evidências, o chefe da localidade de Gumbalaçai, Joao Chachimbo  confirmou ter havido cobranças na sua localidade, mas recusou dar mais detalhes alegando que o caso já se encontra junto das autoridades policiais.

ʺSim confirmo que aconteceu isso aqui, mas eu não tenho muitos detalhes porque o caso já se encontra junto do comando distrital. Eu só posso voz dizer isso e mas nada. Se precisarem de mais informação vão a polícia”, sentenciou.

Cobranças coercivas para construção da praça

Esta não era a primeira vez que a população da mesma comunidade sofre uma suposta burla, com o envolvimento do chefe do posto. No ano passado, ordenou uma cobrança coerciva de dinheiro para construção de uma praça.

Após a colecta deste valor, o líder comunitário que identificado por Saphanda, fez a canalização ao chefe do posto e de lá para cá ninguém mais fala do assunto.

“Fomos forçadamente cobrados 20 meticais por pessoa, que era destinado para construção da praça. Após a cobrança os líderes levaram o valor ao chefe do posto que responde por João Cachimbo. Vendo o tempo passar questionamos sobre a construção da praça e informaram-nos que o valor havia desaparecido, sem sequer explicar as circunstâncias deste desaparecimentoʺ, disse a fonte

Contactado ao governador provincial confirmou ter tomado conhecimento dos dois actos de cobranças à população de Mambalaçai, tendo adiantado enviou uma equipa de inquérito para auferir a veracidade de factos.

ʺTomei conhecimentos deste sucedido e neste momento aguardo as averiguações da equipa de inquérito para auferir a veracidade de factos”, disse num breve contacto, o governador provincial, Lourenço Bulha

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