Ala Nyusi mata democracia interna e avança com candidaturas únicas

POLÍTICA
  • Depois da OMM, agora é vez da ACLIN
  • Começou a montagem da equipa táctica do terceiro mandato?
  • Presença de militares na sala sessões denunciam alegada insegurança de Nyusi

Terminou esta segunda-feira (ontem), na Matola, a IV Sessão Ordinária do Comité Nacional da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLIN), reunião que reconduziu Fernando Faustino ao cargo de secretário geral daquela organização social do partido Frelimo. Tal como aconteceu no Congresso da OMM, em que Mariazinha Niquice concorreu sozinha à sua própria sucessão, Faustino foi candidato único, tendo sido reeleito, numa altura em que estão a ser ensaiados jogos nos bastidores para alargamento da idade dos membros da OJM, o que tem vindo a deixar os membros do partido apreensivos com esta aparente “morte” da democracia interna, supostamente liderada pela ala no poder, com vista a manter o controlo dos órgãos sociais para poderem consolidar o poder no Congresso de Setembro próximo, abrindo caminho para um terceiro mandato ou a eleição de um candidato que lhes seja favorável.

Reginaldo Tchambule

Numa sessão que tinha como objectivo discutir a vida dos combatentes da Luta de Libertação Nacional, a estrela, o que saltou a vista durante a abertura foi uma incomum presença, na sala de reuniões, de “jagunços” da Casa Civil vestidos a rigor, a fazerem a segurança serrada ao Presidente do partido Frelimo e da República, Filipe Nyusi, seguindo-o até quando se levantava ao púlpito.

Nos corredores, os camaradas mostraram preocupação com o facto, revelando que pode ser um indicador de que o Presidente do partido está inseguro, mas também um acto de intimidação para os membros.

Não se sabe se é verdade ou não, a única certeza neste existe é que o Conselho Nacional da ACLIN não passou de um cartório para reconfirmar Fernando Faustino como secretário geral da organização. Num processo pouco transparente e que tem agastado algumas alas do partido no poder, Faustino foi candidato único à própria sucessão, tendo sido reeleito de forma colegial.

De resto, repete-se o que aconteceu em Março, quando Mariazinha Niquice concorreu sozinha à sua própria sucessão, acabando por ganhar com números coreanos, ou seja, 100 por cento. Esta situação gera alguma estranheza dentro do próprio partido Frelimo, que denunciam cada vez mais um afunilamento do espaço de debate e da democracia interna.

“Parece que estamos num ano de candidaturas únicas. A OMM foi candidatura única, a ACLIN é candidatura única, a OJM até tentaram alargar a idade para continuarem. Nas províncias também temos assistido a febre de candidaturas únicas, e cuidado também chegarmos ao Congresso com candidaturas únicas e de renovação. É complicado. Temos de dar espaço aos outros para se expressarem. Tem havido uma concertação estranha que coloca em causa a própria democracia interna. Assim, daremos razão a quem diz que o nosso líder pisca para um lado e vira para o outro”, denunciou um dos membros do partido, desconfiando que a ala Nyusi esteja a arquitectar um plano para continuar a controlar o partido a partir da liderança dos órgãos sociais.

Segundo as nossas fontes, o controlo e intimidação começa desde a base ao topo e o trabalho é feito de tal forma que dificilmente quem não está alinhado se sinta confortável para avançar.

Refira-se que participaram 144 membros, incluindo presidentes honorários e convidados, sendo a destacar as presenças de Celso Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, e Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas e Habitação, que fazem parte do núcleo duro de Filipe Nyusi e sobre quem gravita a estratégia de sucessão.