Taxa de uniões prematuras duplicou no primeiro trimestre de 2022 em Cabo Delgado

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De acordo com os dados divulgados pela Save The Children, na terça – feira, 17 de Maio, o número de uniões prematuras entre crianças deslocadas aumentou no primeiro trimestre do ano em curso. Nos primeiros três meses de 2022 foram registados 108 casos de uniões prematuras, por sinal mais 42 em comparação com os casos registados entre Outubro e Dezembro de 2021.

Entre Janeiro e Março de 2022, a Save The Children registou 108 casos de casamentos prematuros nos distritos de Pemba, Metuge, Chiure e Montepuez, em Cabo Delgado, sendo que seis casos foram registados em Janeiro, 32 em Fevereiro e 70 em Março.

Para organização não governamental da defesa dos direitos da criança no mundo, o aumento do número de uniões prematuras é o resultado de uma combinação de factores, ou seja, o sofrimento contínuo que muitas das famílias têm enfrentado nos centros de transitórios ou os desafios de começar uma nova vida do zero em áreas.

A insurgência armada contribuiu sobremaneira para a província de Cabo Delgado galgar terreno na lista das províncias com maior taxa de casamento e de gravidez na adolescência, ocupando no presente a segunda posição. No presente, de acordo com a Save The Children, 65% das adolescentes de 15 a 19 anos já são mães ou grávidas.

A CEO da Save The Children International, Inger Ashing, escalou, recentemente, a província de Cabo Delgado e mostrou preocupada com o modus Vivendi das crianças nos centros de acomodação naquele ponto do país.

“Cabo Delgado já era o pior lugar em Moçambique para ser criança antes deste conflito começar; agora, com deslocamentos em massa e abusos horríveis, as coisas estão muito piores. As meninas são particularmente vulneráveis ​​e estão sendo casadas em uma taxa alarmante. Quase meio milhão de crianças fugiram da violência e se encontram dividindo casas com parentes distantes, às vezes mais de uma dúzia em uma única pequena residência. Eles estão fora da escola, seus pais não têm emprego e não há assistência médica, comida ou água suficientes. A situação é insustentável e desesperadora”, lamentou Ashing para depois apontar que está a medir esforços atender as necessidades das crianças afectadas pelo terrorismo.

“Mais fundos são urgentemente necessários para atender às necessidades imediatas de crianças e comunidades, ao mesmo tempo em que se criam fluxos de financiamento sustentáveis ​​para trabalhar em soluções de longo prazo para resiliência duradoura e construir e manter a paz.”

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