Professores em greve silenciosa: Na Escola Secundária Josina Machel chegaram a paralizar aulas

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A Escola Secundária Josina Machel, na cidade de Maputo, viveu momentos incomuns na manhã desta quinta-feira (27), com a paralização parcial das aulas alegadamente porque os professores estão revoltados com o enquadramento que passarão a ter de acordo com a nova Tabela Salarial Única (TSU). Depois de um encontro com a direção os professores aceitaram voltar às salas de aulas, mas continuam numa espécie de “greve silenciosa”.

A paralização ocorreu de forma silenciosa quando eram aproximadamente 9 horas de Ontem e durou toda manhã até ao momento em que a direção da escola decidiu convocar uma reunião de emergência para junto dos professores elaborar um documento que seria submetido ao Ministério da Educação.

A direção da escola preferiu não falar do ocorrido ao Evidência, por considerar um assunto bastante sensível, tendo se limitado em dizer que o assunto já é do conhecimento da Direção de Educação da Cidade de Maputo e que caso a nossa equipa quisesse ter mais esclarecimentos devia se dirigir às instituições competentes.

Uma fonte ligada ao corpo docente, que preferiu não se identificar, avançou que mesmo depois do encontro os professores continuavam numa espécie de greve silenciosa, ou seja, estavam no recinto da escola mas ninguém dava aulas.

“Aqui ninguém está feliz com essa coisa da TSU. Nós trabalhamos dia e noite mas agora querem piorar as coisas. Não é porque os professores não estão aqui, eles estão mas ninguém está a dar aulas. Quem vai dar aulas com fome? Se isto continuar assim duvido muito que vai se fazer APs e isso não é só aqui na Josina. É quase em todo país”, disse a fonte.

Ao que tudo indica a paralização de aulas na Escola Secundária Josina Machel é ponta do iceberg de uma greve silenciosa a nível nacional.

Há vários dias que vem circulando nas redes sociais várias mensagens apelando o boicote de algumas actividades, incluindo o atraso na entrega do aproveitamento do terceiro trimestre para comprometer os prazos dos exames.

O evidências reproduz abaixo uma das mensagens dos professores mais partilhadas entre os docentes pelo WhatsApp:

 

“Última Hora
Caros colegas Docentes ( Professores).
É sabido por nós que a ONP é uma organização com intenções partidárias o que não nos alarma não tomar posição perante o silêncio e o desrespeito que o Governo tem para com a classe dos professores no que tange as injustiças salariais.
Colegas, não é justo que um professor DN1 que está a 15 anos na FP 4, 5, 6….anos na carreira tenha de receber mesmo salário com um que tenha talvez mesmos anos e 6 meses na carreira ou 1 ANO na FP.

O governo submeteu a AR uma proposta que antes foi apreciada e aprovada pelos grupos sindicais. Não se justifica que depois tenha que elaborar decretos fora do que foi aprovado.
Afinal, a classe Docente fica mais uma injustiçada em detrimento de indivíduos que por algum motivo são chefes de repartição, diretores ….

Colegas, se a situação dos professores ( SEREM ENQUADRADOS NOS NÍVEIS PREVIAMENTE DISCUTIDOS E APROVADOS) urge a necessidade de:
….. NÃO ENTREGAR O AP DO 3T DE MODO A ATRASAR O PROCESSO DE EXAMES ATÉ QUE SE RESOLVA POR DEFINITIVO A PREOCUPAÇÃO.

  1. Em todas camadas da área Docente, CONTROLARMOS O PROCESSO DE EXAMES E DEIXARMOS A CORRECÇÃO A CRITÉRIO DOS CHEFES MELHOR ENQUADRADOS;
  2. FAZER SE AO SERVIÇO PARA CONTROLAR EXAME SO NO HORÁRIO DESTACADO;
  3. APERTAR O CERCO NA SALA DE EXAME O QUE PODERÁ INFLUENCIAR NO AP FINAL;
  4. DEPOIS DA REALIZAÇÃO DO ÚLTIMO EXAME, MANTER SE NO SERVIÇO SEM REALIZAR NENHUMA ACTIVIDADE ATE AO ÚLTIMO DIA;
  5. NÃO ACEITAR AMEAÇA DE CHEFE NENHUM POIS TAMBEM NÃO CONFIA EM NADA SENÃO EM MARCAR TE FALTA.

APELA SE O CUMPRIMENTO DAS RECOMENDAÇÕES PARA QUE SE FAÇA VALER A VOZ DO PROFESSOR!

REPASSE”.

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