Gabriel Júnior não se deixa intimidar perante ameaças de morte

DESTAQUE POLÍTICA
  • Reactivação dos Esquadrões?
  • “Estou preocupado sim, mas medo não”

O deputado da Assembleia da República, dirigente desportivo e dono da TV Sucesso, Gabriel Júnior, está a ser alvo de ameaça de morte, uma acção perpetrada por desconhecidos numa altura em que o seu canal de televisão tem sido elogiado dentro e fora do país pela sua cobertura imparcial das eleições autárquicas de 11 de Outubro passado e debates de maior audiência no país pela pluralidade de vozes que por lá desfilam. Mesmo diante de tanta pressão, Gabriel Júnior não se cala, e mais do que denunciar, declarou em rede nacional não ter medo, embora assuma que esteja preocupado porque nada fez para merecer tais ameaças.

Esneta Marrove

Depois de anos de uma aparente desactivação dos Esquadrões da Morte depois do assassinato de Anastácio Matalavele em Outubro de 2019, que viria a descortinar que, afinal, os autores dos casos mais notáveis de atentados a queima roupa contra figuras influentes eram agentes de elite da Polícia da República de Moçambique (PRM), ao que tudo indica os Grupos de Operações Especiais estão para voltar.

Depois de uma série de insinuações de que algumas pessoas estão a sofrer ameaças e até agredidos na sequência das eleições autárquicas de 11 de Outubro, eis que este domingo o desabafo de Gabriel Júnior, em pleno Moçambique em Concerto, programa dominical de maior audiência no país, comoveu aos moçambicanos ao comunicar que estava a ser vítima de ameaças de morte.

Gabriel Júnior disse que já comunicou às autoridades competentes, que prontamente providenciaram a devida protecção, enquanto segue uma investigação para identificação dos autores das ameaças.

“Acho que está na hora de pedir que vocês orem por mim, porque nas últimas duas semanas tenho recebido ameaças de morte. Pensei que fosse passageiro, mas a cada dia que passa a pressão das ameaças começa a ser maior (…). É difícil tu viveres numa situação de pressão em cada passo que tu dás”, desabafou Gabriel Júnior.

Mostrando a sua veia de “mandau” inabalável, Gabriel Júnior declarou estar preocupado com a ameaça, mas não ter nenhum medo da morte, alicerçando a sua coragem na fé em Deus.

“Não sei quais são as motivações, mas não tenho receio, e quero pedir às autoridades para que levem a sério este assunto e continuem a me ajudar como o tem feito nos últimos 20 dias. Ao povo moçambicano (…), o que eu tenho a dizer? (…) Não se pode matar quem já morreu. Eu já morri para mim, vivo para a minha gente e para servir o meu povo. Quero agradecer a todos e peço que orem por mim”, lamentou.

Embora Gabriel Júnior tenha se escusado de acusar quem quer que seja pelas suas ameaças, na sociedade moçambicana imediatamente formou-se a opinião de que as ameaças são motivadas pelo facto da TV Sucesso estar a fazer uma cobertura imparcial e irrepreensível das eleições autárquicas, o que não terá sido do agrado de alguns membros do partido Frelimo.

A cobertura da TV Sucesso e os respectivos debates mereceram elogios de muitos moçambicanos pela imparcialidade na forma como abordou vários assuntos ligados ao processo.

MISA condena ameaças e insta autoridades a investigarem

Reagindo à denúncia, o MISA Moçambique condenou actos de ameaças e intimidação a Gabriel Júnior, considerando que são graves atentados contra a liberdade de imprensa e de expressão.

“Como Estado de Direito Democrático, não nos podemos permitir que tenham lugar, no nosso seio, ameaças ou outros actos contra profissionais ou gestores de comunicação social, o que, além do mais, constitui flagrante violação ao ordenamento jurídico nacional que orienta o funcionamento dos media no país. Tal como estabelece o número 2 do Artigo 48 da Constituição da República de Moçambique (CRM), o exercício da liberdade de expressão, que compreende, nomeadamente a faculdade de divulgar o próprio pensamento por todos os meios legais, e o exercício do direito à informação não pode ser limitado, seja por censura (conforme estabelece a CRM), seja por outras vias, incluindo ameaças”, condenou.

No caso em apreço, mais do que atentados contra a liberdade de imprensa e de expressão, ameaças de morte configuram crimes contra o direito humano mais fundamental: o direito à vida.

“Por isso, ao mesmo tempo que condena este tipo de actos, o MISA Moçambique exorta às autoridades a investigarem estas ameaças até encontrarem e responsabilizarem os seus actores. As autoridades devem, pois, enviar uma mensagem clara de intolerância contra esta e quaisquer ameaças contra jornalistas ou gestores de comunicação social”, conclui.

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