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Cáritas alerta que persistem dificuldades na assistência aos deslocados

Numa altura em que se regista mais uma vaga de deslocados na sequência da intensificação dos ataques nas últimas semanas, o que levou o Presidente da República, Filipe Nyusi, a reconhecer que o momento não está bom, o director da Cáritas Diocesana, Manuel Nota, alerta que persistem dificuldades de assistência humanitária, tanto para a população que se encontra nos centros de acomodação bem como para a que voltou às origens.

Duarte Sitoe

Apesar dos êxitos alcandos pelas Forças de Defesa e Segurança no Teatro Operacional Norte, várias organizações humanitárias e investigadores consideram que a situação de segurança ainda continua instável na província de Cabo Delgado, num contexto em que a Missão da SADC em Moçambique iniciou a sua desmobilização do país.

Neste momento, alguns distritos a Norte de Cabo Delgado voltaram a entrar no roteiro do terrorismo, depois de alguma calmia que levou os deslocados a retornarem às suas origens. Novos ataques reportados em Macomia, Mocimboa da Praia e Quissanga fazem novamente soar os alarmes, com uma nova vaga de deslocados.

O director da Cáritas Diocesana, Manuel Nota, alerta que persistem dificuldades na assistência aos deslocados devido a escassez de provisões.

“A situação de apoio humanitário está cada vez mais a ficar complicada por causa da escassez de doadores. Para nós, por exemplo, como Cáritas, estamos com poucos doadores e neste momento que estou a falar, estamos a implementar três projetos que vão terminar nos próximos meses, não mais em Agosto. Por causa disso, há muita solicitação da população que regressou às suas zonas de origem, que clama pelo apoio que tem sido escasso ultimamente, porque não existe mesmo recurso, não é que falte vontade das organizações”, declarou Nota, citado pelo DW, para posteriormente referir que face às últimas incursões dos terroristas há famílias que voltaram aos centros de acomodação.

Novos ataques elevam risco de fome em Mocímboa da praia

O director da Cáritas Diocesana disse que a continuidade da assistência aos deslocados está refém da resposta dos doadores, tendo ainda garantido que um dos actuais desafios da província de Cabo Delgado é a reconstrução.

“Nós temos algumas propostas que submetemos a vários doadores que têm feito a chamada de propostas. Nós submetemos no ano passado, mas até agora ainda não tivemos o feedback. O desafio actual, na verdade, é mesmo a reconstrução. Tentar criar resiliência nas populações que voltaram, porque grande parte daquela população que estava em situação deslocada já retornou, mas estão a passar muitas necessidades lá. As propostas que nós submetemos era mesmo para ir atender essas pessoas lá no local de regresso, onde eles retornaram. É esse o grande desafio das organizações, porque a população está mesmo a precisar”.

Na última semana, os grupos armados, que desde Outubro de 2017 semeiam luto e terror na província de Cabo, voltaram a protagonizar ataques no distrito de Mocímboa da Praia.

O administrador daquele distrito da província nortenha de Cabo Delgado, Sérgio Cipriano, alertou que os novos ataques poderão piorar a situação de fome aguda naquele ponto do país, uma vez que acontecem numa altura em que a população faz sementeiras para reduzir a dependência da ajuda humanitária.

Nyusi admite que a situação não é das melhores em Cabo Delgado, mas….

Na última semana, o Presidente da República, Filipe Nyusi, orientou uma formatura das Forças de Defesa e Segurança na província de Cabo Delgado, tendo na ocasião reconhecido que a situação naquele ponto do país não é das melhores.

“O momento não é dos melhores, não porque o nosso trabalho não está bem, mas porque em todas as guerras, refiro-me agora ao combate ao terrorismo, há momentos altos e momentos baixos, mas também há momentos em que o inimigo se reestrutura, e é o que está a acontecer agora. Estão a movimentar-se muito por Quissanga, Mucojo… o distrito de Macomia está mais movimentado. Vão para Pangane e alguns de vocês têm estado lá ou gerem a partir daqui, do vosso comando”.

No entanto, o Chefe de Estado observa que os terroristas estão desesperados, daí que instou as FDS para apertá-los e tirá-los do combate.

“Não permitam que aquilo que nós já conseguimos conquistar possa voltar para as mãos dos terroristas. O movimento que estão a fazer é um movimento de desespero. Sabemos como eles estão a actuar e como estão a actuar. Estamos a conjugar esforços para ver se conseguimos apertá-los de novo, para eles não terem tempo de respiração. Depois de terem colocado fora de combate alguma liderança deles, surgiu uma outra. Já sabem, essas coisas… é assim, como… Mas, esperamos que, a qualquer momento, vamos colocá-los fora do combate, vocês próprios sabem, a esses… em colaboração com as forças locais”.

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