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Profissionais divergem opiniões sobre o jornalismo moçambicano

Celebrou-se nesta quinta-feira, 11 de Abril, pela 46º vez, o Dia do Jornalista Moçambicano. Em ocasião, vários profissionais, através de vários meios, partilharam a sua visão sobre o estágio actual do jornalismo no país, sobretudo dos principais desafios que assolam a classe.

Elísio Nuvunga

Mais um ano, mesmos desafios e cada vez mais crescente ameaças aos jornalismo. É esse o sentimento dos jornalistas moçambicanos, numa altura em que o seu último mártir, João Chamusse, completou, este Domingo, quatro meses após o seu bárbaro assassinato ainda não totalmente esclarecido pelas autoridades.

Para Júlio Manjate, presidente do Conselho de Administrativo (PCA) da Sociedade do Notícias, falar de jornalismo no contexto moçambicano ainda constitui um desafio enorme, mas reconhece que há um avanço significativo na classe, pois há cada vez mais formandos,  para além da sua qualidade nos últimos tempos.

“Falar de jornalismo moçambicano é um desafio enorme, mas eu posso dizer que está a crescer em várias dimensões, ou seja, na dimensão tecnológica, na dimensão de qualidade  dos profissionais, do ponto de vista de estarem a ser formados muitos jornalistas. Está a crescer também a consciência do público em relação a aquilo que quer ver a ser tratado em relação à sociedade. Está a crescer o jornalismo no seu todo”, disse Manjate.

O PCA não se limitou a caracterizar o estágio do jornalismo nacional no contexto moçambicano, como também debruçou sobre as questões éticas na classe.

“É importante que todo o jornalista ao produzir uma matéria, seja uma reportagem, seja  de rádio ou jornal, tenha consciência de que aquilo vai impactar nas vidas das pessoas e sobretudo pensar no que as pessoas vão fazer depois de ler o seu texto ou ouvir sua reportagem na rádio. É preciso, sempre, pensar no leitor ou ouvinte, porque o jornalista tem a capacidade ou potencial de influenciar a opinião pública”, disse Manjate durante a sua intervenção no Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ).

Enquanto isso, o docente e jornalista investigativo, Lazáro Mabunda, expôs suas dúvidas, inquietudes e questionamentos profundos em relação ao dia, pois entende que não há motivos para celebrar devido às conjunturas que “mancham a classe”, desde a imoralidade, chantagem e outras práticas “obscuras” que actualmente reinam na classe.

“Hoje é dia do jornalista moçambicano. É para celebrar? Celebrarmos o quê?

Não temos motivos para celebrar. Celebrar o quê? Celebrar o facto de sermos cães de estimação dos políticos e empresários? Celebrarmos o quê? A celebrarmos a proliferação de órgãos de informação sem conteúdos e da respectiva mediocridade? Celebrar o quê? A ausência de valores morais no jornalismo? A mendicidade jornalística? A pobreza jornalística? A chantagem, a extorsão e a corrupção jornalística? Celebrarmos o quê? A pauperização do jornalismo? O que devemos celebrar mesmo?”, disse na sua conta de facebook.

Falando na cerimónia dedicada ao dia, ao nível da cidade de Maputo, o director-executivo do MISA Moçambique, Ernesto Nhanale, ressaltou que o 11 de Abril é dedicado a honrar e a reconhecer o compromisso incansável dos jornalistas moçambicanos em relatar os eventos que moldam e constroem o mundo. Mas, na data dedicada à classe, o director do MISA não deixou de falar dos desafios enfrentados pelos jornalistas moçambicanos.

Um deles tem a ver com a fraca capacidade das empresas de comunicação social em prover condições laborais e salariais adequadas para a profissão. Por isso, para Ernesto Nhanale, a luta pelos direitos da classe deve ser contínua. “A luta pelos direitos dos jornalistas e pelas liberdades fundamentais continua sendo uma batalha constante”, disse, enfatizando ser “nosso papel, como jornalistas, lutar para conquistar o nosso espaço e mantê-lo”. Por outro lado, Nhanale desafiou os jornalistas moçambicanos a serem guardiões da ética e princípios profissionais.

No mesmo evento organizado pelo SNJ e que juntou diversos profissionais da classe, estudantes de jornalismo e outros extractos da sociedade, o director-executivo do MISA instou aos actores políticos e as Forças de Defesa e Segurança a compreenderem e respeitarem o trabalho dos jornalistas.

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