Mais moçambicanos na iminência de morrer enquanto Governo assobia para o lado

DESTAQUE SAÚDE
  • Profissionais de saúde prolongam greve por mais 30 dias
  • No primeiro mês, mais de mil pacientes morreram por falta de assistência adequada

Numa altura em que balanço de óbitos, nalguns casos em situações que podiam ser evitadas com tratamento adequado, cifram-se acima de mil vidas perdidas, o governo continua a assobiar para o lado, não cumprindo, desta forma, com o grosso das reivindicações dos profissionais de saúde encabeçados pela Associação dos Profissionais da Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUM), por isso os mesmos decidiram prorrogar a greve por um período de 30 dias.

Elísio Nuvunga

O Governo e os profissionais de saúde continuam de costas voltadas. Quando faltam dois dias para terminar a greve, a APSUM anunciou, na segunda-feira, 27 de Maio, que vai prolongar a greve por mais 30 dias para pressionar o Executivo a responder às suas inquietações, tendo ainda referido que o ministro da Saúde, Armindo Tiago, mentiu quando disse publicamente que existem medicamentos nos hospitais.

A greve anunciada em Abril terminava no dia 29 de Maio em curso, mas quando faltavam dois para o término da mesma a APSUM veio ao terreno anunciar que foi prolongada por mais 30 dias.

“Volvidos 30 dias de greve, anunciamos a prorrogação da mesma por mais 30 dias, até que o governo interiorize e compreenda o valor de uma vida. ´Fica em casa´ para todos os profissionais que se identificam com a causa estamos em greve. Os que estão em greve são todos os profissionais, com exceção da classe médica. Estamos a falar de mais ou menos 67 a 68 mil funcionários”, disse Sheila Tchuquela, secretária-geral da Associação dos Profissionais da Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUM).

Sheila Tchuquela referiu que as negociações com o Governo tiveram ligeiro avanço, mas “prevalece o braço de ferro, visto que este teima em não apresentar garantias concretas de que vai cumprir com os acordos de junho e agosto de 2023 firmados em sede de negociações”, todavia garantiu que há “avanços ligeiros, mas falta a garantia do governo dar uma janela temporal que efetivamente vai cumprir com aquilo que se estabeleceu”.

Recentemente, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, garantiu que não havia défice de medicamentos nos postos de saúde, o que foi refutado pela classe, pois os armazéns estão cheios de caixas sem conteúdo.

“Mostrou-se várias caixas, como é que se justifica que em todas farmácias das unidades sanitárias esses medicamentos não existam, então algo não está bem, não faz sentido. Achamos que foi irresponsável porque trouxe uma solução para um problema que não existe. Nunca afirmamos que no armazém de Zimpeto tem medicamentos, nunca afirmamos isto. O que sempre afirmamos, vou sublinhar, é que nas farmácias dos hospitais não existem medicamentos”.

Refira-se que as greves são motivadas por falta de medicamentos em vários hospitais do país, falta de equipamentos (macas e viaturas), alimentação, pagamentos de horas extraordinárias, etc.

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