Camaradas contestam resultados na Cidade de Maputo e denunciam ditadura das ordens superiores

DESTAQUE POLÍTICA

Depois das denúncias de irregularidades relatadas em Gaza e Zambézia, onde, inclusive, os camaradas usaram meios legais para exigir a reposição da verdade eleitoral, eis que na cidade de Maputo também começa a rebentar pelas costuras alguma contestação dos resultados das eleições internas, devido a um flagrante atropelo da directiva em cumprimento de supostas orientações superiores.

Segundo relatos colhidos dos membros do Comité da Cidade, num processo que se esperava livre e transparente voltou a imperar a ditadura das supostas ordens superiores, com indicações a dedo de camaradas que deviam ser eleitos e os que não deviam ser por mera vingança pessoal ou por não serem do agrado do Presidente do partido, segundo terão dado a conhecer alguns membros do secretariado da cidade.

Um dos beneficiários das indicações à dedo na cidade de Maputo de quem há contestação é o jovem Jherson Fernandes, amigo de Jacinto Nyusi, filho mais velho do Presidente Nyusi. Segundo vozes contestatárias, o referido jovem tem estado a ter uma subida meteórica, tendo sido em pouco tempo eleito membro do Comitê Central e agora está numa posição confortável para se eleger como deputado da Assembleia da República.

Bastante apagado em termos de intervenção e capital político, os camaradas dizem que a única qualidade que fez com que Jherson fosse indicado a dedo e com ordens expressas para que fosse “querido” é o simples facto de “brincar” com o filho do “chefe”.

Não obstante as indicações à dedo, os camaradas na cidade de Maputo denunciam uma gritante promiscuidade, compra de votos e tráfico de influências, o que levou a que um casal que partilha cama e mesa fosse constar na mesma lista como candidatos a deputados.

Mas o caso mais flagrante, é o facto do primeiro secretário da cidade de Maputo, António Niquice ter concorrido pela lista de continuidade, quando por força da directiva devia seguir pela lista da renovação.

Segundo Evidências apurou houve orientação para que o primeiro secretário entrasse na lista da continuidade. A orientação terá vindo de cima, sem se importar com um grave atropelo da directiva, que impede quem renuncia de concorrer da lista da continuidade.

Quer isto dizer que António Niquice, que renunciou o seu mandato em Março passado após assumir o cargo de primeiro secretário da Frelimo na cidade, querendo voltar a Assembleia da República na próxima legislatura, devia concorrer pela renovação conforme consta da directiva.

É que, só pode concorrer na lista da continuidade quem suspende o seu mandato ou quem está a exercer efetivamente o mandato. Quem renuncia é substituído e deixa de fazer parte dos efectivos, um princípio flagrantemente pontapeado com beneplácito das “ordens superiores”.

Após perceberem da violação da directiva, os camaradas tentaram persuadir António Niquice para se conformar com a directiva, mas debalde, pois nos corredores os membros do secretariados comentaram que estava em causa cumprir supostos interesses do “chefe”.

As falcatruas, favorecimentos, compra de votas e outras engenharias antidemocráticas tem estado a gerar uma onda de contestação no seio dos camadas na capital do país. Aliás, a contestação iniciou ainda dentro da sala e acabou transbordando para fora, contudo, mesmo sabendo deste atropelo a comissão política está a fazer ouvidos moucos.

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