Tira-se milhões aos pobres e nada aos ricos: Salimo Abdula teve isenção de 12 milhões na compra do Rolls Royce

DESTAQUE ECONOMIA SOCIEDADE

No fim de semana passado, a cidade de Maputo parou, literalmente, para testemunhar a envergadura e exoberancia de uma incomum viatura da marca Rolls Royce. De pronto as redes sociais ficaram inundadas de fotos e houve quem associou “a máquina” ao badalado Florindo Nyusi, mas, afinal, o carro não pertence ao filho do Presidente Nyusi. É do empresário moçambicano Salimo. Abdula. Foi importada em Dezembro passado e apesar de ter custado 25 milhões de meticais, pagou apenas 1559 meticais ao Estado, beneficiando-se uma estranha isenção de pagamento de direitos aduaneiros. Sem a intervenção bondosa do Estado, o empresário devia ter pago cerca de 12 milhões aos cofres do Estado. A postura do Governo, que tem apertado o cerco quando se trata dos mais fracos, criou uma onda de indignação no seio dos moçambicanos que apontam que ainda existem filhos e enteados na “pátria amada”.

Volvidas 24 horas depois da Federação de Ginástica de Moçambique vir a público falar da falta da colaboração da Secretaria de Estado de Desporto para desalfandegar o material desportivo doado pela Federação Internacional de Ginástica, que está retido há mais de um ano nas instalações do Porto de Maputo, por falta de pagamento de um milhão de meticais em direitos aduaneiros, o que tem comprometido o desenvilvimento da modalidade que já trouxe importantes prêmios para o país,s moçambicanos foram surpreendidos com a notícia que dava conta de que, afinal, o governo é flexível quando o assunto são caprichos da elite económica e política do país.

É que enquanto o Estado se mostra, por um lado inflexível para desbloquear doações de bens para benefício comum, sem aparente justificação legal, não teve esforços a medir para conceder uma isenção fiscal ao renomado empresário, Salimo Abdula.

A referida isenção alfandegária foi emitida pelo Ministério da Economia e Finanças, no valor de mais de 12 milhões de meticais (12,547, 822) na importação de uma viatura da marca Rollis Royce, avaliada em 25 milhões de meticais.

O extrato da importação da viatura posto a circular nas redes sociais aponta que a luxuosa viatura, proveniente da África do Sul, chegou ao Terminal Internacional da Machava com rótulo de Importação de Mercadorias com Isenção Total de Direitos e demais Importações, mas não específica em que circunstâncias o Estado foi obrigado a subsidiar o luxo de um dos cidadãos mais ricos do país.

O documento em alusão refere somente que Abdula devia pagar cinco milhões de meticais de direitos aduaneiros e cerca de sete milhões e quinhentos e vinte e oito mil meticais de Imposto Sobre Consumo Especifico.  Entretanto, o empresário apenas pagou a insultuosa quantia de 1559 meticais, sendo 1500 para TSA- Importação Com Isenção e 59 meticais da Taxa de Radiodifusão, para levantar a viatura.

Através das redes sociais a pesquisadora e activista social, Fátima Mimbire, não poupou as críticas ao Governo por fazer de tudo para granjear a simpatia dos empresários ligados a Frelimo em detrimento do povo quando se trata de isenções aduaneiras.

“Enquanto isso, quando o cidadão pacato decide, com as suas sacrificadas poupanças, comprar um dubaizinho, os mesmos que isentam malta Salimo, inventam taxas de câmbio e fazem uma tal correcção do valor da viatura e acabas pegando mais de 100% do valor que pagaste pela viatura.  Esta é a expressão inequívoca da existência de filhos e enteados neste país”, atacou Mimbire criando um alvoroço nas redes sociais.

Para entender em que contornos Abdula beneficiou-se da referida isenção fiscal, o Evidências contactou telefonicamente o antigo Presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), mas o mesmo preferiu abraçar o silêncio, uma vez que não atendeu as nossas respondeu e ignorou as mensagens. Igualmente, o Evidencias tem estado desde a manhã desta terça-feira a tentar obter esclarecimento junto do Ministério da Economia e Finanças, dirigido por Ernesto Max Tonela, sobre as circunstâncias em que o afurtunado empresário da praça beneficiou da referida isenção fiscal, num país em que os mais pobres pagam quase 100% em direitos na importação de veículos.

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