Renamo em decadência política?

OPINIÃO

Edmilson Mate

 

Na medida que o tempo foi passando, a RENAMO foi se revelando cada vez mais. Desta vez, não pela positiva. Está claro para qualquer observador político que a perdiz de ontem não é mais aquela que Dhlakama sonhou, nem os moçambicanos. Há quem ainda arrisca-se a afirmar que a Resistência Nacional de Moçambique perdeu seus ideias. Parcialmente, o maior partido da oposição nos tempos contemporâneos parece estar mais “Frelimizada” do que autónoma.

 

Em 2023, após o início das eleições autárquicas, a RENAMO havia granjeado a simpatia do público eleitor, principalmente nas grandes cidades, tal que a os jovens e outros faixas etárias, juntaram se as marchas liderados pelo opositor de Ossufo Momade, Venâncio Mondlane, em protesto dos resultados divulgados pelo Comissão Nacional de Eleições (CNE).

 

No entanto, após esse período de entusiasmo, a RENAMO começou a mostrar sinais de fragilidade se não a crise que assistiu no seio da perdiz sobretudo no VII congresso do partido, e perda de direção. A capacidade de mobilização dos jovens, que era uma de suas forças motrizes, foi gradualmente decrescendo ao ponto de jovens integrantes e apoiantes da RENAMO, marcharam contra o seu próprio, na cidade Maputo e noutros pontos da região centro e norte. Os protestos que antes eram vigorosos e bem organizados começaram a perder intensidade, refletindo uma desconexão crescente entre a liderança do partido e sua base de apoio que é o povo.

 

Com o término das eleições autárquicas e rumo às eleições gerais de 09 de outubro do ano em curso, a RENAMO pareceu desnorteada por falta de consensos e políticas sólidas no seio partido, culminando com os desmembramento de decanos importantes tendo como é o caso de Venâncio Mondlane, Raul Novinte e outros jovens do Braço juvenil do partido, por exemplo, por sentirem-se “manchados” com actual RENAMO.

 

Face a este cenário, de lá para cá, a perdiz sofreu uma drástica depreciação pelo público. Muitos eleitores, especialmente os jovens que haviam depositado suas esperanças no partido, sentiram-se traídos e, como alternativas, viram-se obrigados a seguir o Engenheiro Venâncio, na Coligação Aliança Democrática (CAD), pela confiança que têm em representar os interesses da maioria.

 

Por outro lado temos o Venâncio Mondlane que emergiu das cinzas, como uma figura política carismática e determinada, atraindo a atenção de muitos que antes apoiavam a RENAMO. Sua abordagem legalista e combativa, apesar dos desafios, mostrou que era possível lutar por mudanças significativas dentro do sistema.

 

A situação dentro do partido se deteriorou tal que a RENAMO, agora, corre o risco de ser “humilhada” nas eleições de 09 de outubro. VM7, provou que é possível lutar e vencer por via legal em Moçambique, apesar de ser um caminho cheio de espinhos. A CAD está no seu melhor momento, apesar de obstáculos e embaraços em seu caminho.

 

Portanto, a perda de apoio do público, divisões internas e uma liderança questionável coloca o partido em uma posição extremamente vulnerável. Se a RENAMO não conseguir reverter essa tendência e reconectar-se com seus eleitores, pode enfrentar um futuro muito incerto e possivelmente irrelevante no cenário político moçambicano.

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